Estudo revela que 84,4% dos pacientes com diabetes em Goiânia são sedentários
Pesquisa realizada com 199 pacientes também aponta alta incidência de sobrepeso, obesidade e complicações relacionadas à doença
Um estudo realizado com pacientes com diabetes tipo 2 em Goiânia revelou um cenário de baixa adesão à prática de atividades físicas e a outros cuidados importantes para o controle da doença. Segundo a pesquisa, 84,4% dos participantes foram classificados como sedentários.
O levantamento foi realizado entre agosto e novembro de 2024 com 199 pacientes atendidos em um centro estadual especializado em diabetes na capital. Os resultados foram publicados na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, ligada ao Ministério da Saúde.
Além do sedentarismo, a pesquisa identificou uma elevada ocorrência de excesso de peso. Entre os participantes, 41,2% estavam com sobrepeso e 40,2% tinham obesidade. Juntos, os dois grupos representam mais de oito em cada dez pacientes avaliados.
Dificuldades no autocuidado
Os pesquisadores analisaram diferentes hábitos relacionados ao controle do diabetes e encontraram baixa adesão a várias recomendações.
Em relação à alimentação, 63,8% dos participantes disseram seguir a orientação alimentar de um profissional em, no máximo, quatro dias por semana.
O controle da glicemia também apresentou dificuldades. De acordo com o levantamento, 72,9% dos pacientes não realizavam a medição da glicemia capilar na frequência recomendada.
Outro ponto de preocupação foi o cuidado com os pés. 64,3% dos entrevistados não tinham o hábito de examinar os próprios pés em mais de quatro dias da semana.
Esse cuidado é especialmente importante porque o diabetes pode provocar alterações nos nervos e na circulação sanguínea, aumentando o risco de ferimentos e dificultando a cicatrização.
Histórico de lesões e amputações
A pesquisa também identificou um número significativo de pacientes que já haviam apresentado problemas nos pés.
Entre os participantes, 32,2% tinham histórico de lesões nos pés, enquanto 11% apresentavam feridas no momento da avaliação. Outros 8,5% já haviam passado por amputação.
Os dados reforçam a importância do acompanhamento médico e dos cuidados preventivos, principalmente entre pessoas que convivem com o diabetes há muitos anos.
Neuropatia foi a complicação mais comum
A neuropatia apareceu como a complicação mais frequente entre os participantes. O problema foi relatado por 64,3% dos pacientes.
A condição ocorre quando o diabetes provoca danos nos nervos e pode causar sintomas como formigamento, dormência, dor e perda de sensibilidade, principalmente nas pernas e nos pés.
O tempo de convivência com a doença também chama atenção. 67,3% dos participantes tinham diagnóstico de diabetes havia pelo menos dez anos.
Para os pesquisadores, os resultados mostram que o tratamento do diabetes vai além do uso de medicamentos. A adoção de hábitos como atividade física regular, alimentação equilibrada, monitoramento da glicose e cuidados com os pés também é fundamental para reduzir o risco de complicações.
Adesão aos medicamentos é maior
Apesar das dificuldades encontradas em diferentes aspectos do autocuidado, o estudo identificou uma adesão elevada ao uso de medicamentos entre os pacientes avaliados.
Segundo os pesquisadores, o contraste mostra a necessidade de desenvolver estratégias que ajudem os pacientes a incorporar outros cuidados recomendados à rotina diária.
Estudo tem recorte específico
Os autores destacam que os resultados não representam necessariamente todas as pessoas com diabetes tipo 2 de Goiânia.
Isso ocorre porque a pesquisa foi realizada com 199 pacientes atendidos em um serviço especializado na capital. Ainda assim, os dados ajudam a identificar dificuldades enfrentadas por pessoas que convivem com a doença e podem contribuir para o planejamento de ações de prevenção e acompanhamento.
O estudo reforça a importância de ampliar o incentivo à atividade física e fortalecer estratégias de educação em saúde para melhorar o autocuidado e reduzir complicações associadas ao diabetes.




