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Monte Kailash: por que a “montanha proibida” atrai milhares de peregrinos e virou cenário de tragédia no Nepal

Mais de 100 peregrinos desaparecem após desastre no Nepal e no Tibete; entenda a importância do Monte Kailash

Maioria dos estrangeiros desaparecidos é formada por indianos que viajavam pela região em peregrinação ao local considerado sagrado por diferentes religiões

Entre os mais de 500 estrangeiros desaparecidos após a avalanche que atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, a maioria é formada por indianos. Muitos estavam na região para participar de uma tradicional peregrinação religiosa ao Monte Kailash, uma das montanhas mais sagradas da Ásia.

Localizado no Tibete, a cerca de 100 quilômetros da fronteira entre China e Nepal, o Monte Kailash possui 6.638 metros de altitude. O local é considerado sagrado principalmente para o hinduísmo, mas também tem importância para o budismo tibetano, o jainismo e a religião bon.

Por que o Monte Kailash é considerado sagrado?

Para os seguidores do hinduísmo, o Monte Kailash é associado à morada do deus Shiva, além de sua esposa, Parvati, e seus filhos, entre eles Ganesha.

A montanha também aparece em tradições e textos religiosos antigos, como o Ramayana. Algumas crenças ainda relacionam o Kailash ao Monte Meru, considerado o centro do universo em determinadas tradições religiosas.

Milhares de peregrinos viajam todos os anos para a região. Muitos também visitam o lago Manasarovar, localizado a aproximadamente 35 quilômetros da base da montanha e considerado igualmente sagrado.

A “montanha proibida”

Apesar de tentativas de escalada terem sido registradas nas décadas de 1920 e 1930, não há registro de que alguém tenha chegado ao topo do Monte Kailash.

Atualmente, as autoridades chinesas proíbem escaladas na montanha justamente por causa de sua importância religiosa e cultural para diferentes comunidades.

Para os peregrinos, o objetivo não é conquistar o cume, mas realizar um percurso ao redor da montanha, considerado um ato de fé e devoção.

Rota passa por área atingida pela avalanche

Uma das principais rotas utilizadas por peregrinos que viajam até o Monte Kailash passa pelo Nepal e inclui regiões atingidas pela avalanche e pelas inundações.

Os viajantes seguem até Rasuwa, no Nepal, e depois atravessam a fronteira entre Nepal e China pelo posto de Rasuwagadhi. Do outro lado da fronteira fica a região de Gyirong, de onde a viagem continua em direção ao Monte Kailash.

A área foi atingida por uma grande enxurrada de água, lama, gelo e detritos, deixando mortos e centenas de pessoas desaparecidas.

Grupo de peregrinos está desaparecido

O iogue indiano Sadhguru afirmou ao The New York Times que 77 integrantes de grupos organizados por sua fundação estavam no centro de imigração na fronteira entre Nepal e Tibete quando a inundação atingiu o local.

Segundo ele, até o momento não havia sido possível estabelecer contato com o grupo.

A situação aumentou a preocupação entre familiares e autoridades indianas, já que centenas de cidadãos do país estavam na região para participar da peregrinação.

Montanha também é sagrada para outras religiões

O Monte Kailash não é importante apenas para o hinduísmo. O local também é considerado sagrado pelo budismo tibetano, pelo jainismo e pela religião bon, uma tradição espiritual originária do Tibete.

Para os budistas tibetanos, a montanha é associada ao Monte Meru e também às tradições relacionadas ao mestre Milarepa, que viveu no século XI.

Na religião bon, o topo do Kailash é considerado a morada de centenas de divindades.

Já para os seguidores do jainismo, uma religião indiana baseada, entre outros princípios, na não violência, a montanha está relacionada à libertação de um dos 24 grandes mestres da tradição do ciclo de mortes e renascimentos.

Assim, além de sua imponência natural, o Monte Kailash representa um dos mais importantes centros espirituais da Ásia e atrai peregrinos de diferentes partes do mundo, tornando ainda mais significativa a preocupação com os desaparecidos após o desastre na região.

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