O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, retirou o sigilo de documentos da investigação da Polícia Federal que apura a suposta atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) em favor do Banco Master. Os detalhes vieram à tona após a divulgação de relatórios produzidos no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero.
Segundo as investigações, a Polícia Federal identificou 74 ligações telefônicas entre o senador e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As chamadas ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025 e somaram mais de cinco horas e meia de conversas.
De acordo com a PF, Augusto Lima é considerado peça-chave na ligação entre Jaques Wagner e o grupo investigado. Os investigadores apontam que o senador teria atuado politicamente em temas de interesse do Banco Master que tramitavam no Senado Federal, como propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado.
Em troca da suposta atuação, as apurações indicam que Wagner teria recebido benefícios que incluem um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, além de repasses que totalizariam R$ 3,5 milhões para empresas ligadas a familiares.
Relação próxima entre investigados
Os relatórios da Polícia Federal apontam uma relação de proximidade entre Jaques Wagner e Augusto Lima. Mensagens encontradas durante a investigação mostram convites para viagens, encontros particulares e conversas de caráter pessoal entre as famílias.
Em uma das mensagens analisadas, Augusto Lima convida o senador e familiares para visitarem a Ilha da Paixão, na Bahia, oferecendo inclusive transporte em aeronave particular.
A PF também encontrou diálogos nos quais Daniel Vorcaro comenta sobre a suposta proximidade do Banco Master com integrantes do governo federal, afirmando que essa percepção seria positiva para a imagem da instituição financeira.
Presentes e benefícios
Outro ponto destacado na investigação envolve a distribuição de brindes considerados de alto valor. Conversas analisadas pela Polícia Federal mostram a entrega de garrafas de vinho avaliadas entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil para políticos baianos e outras lideranças.
Os investigadores também identificaram a aquisição de ingressos para shows da cantora Taylor Swift destinados ao senador e familiares. Segundo a PF, os benefícios teriam alcançado aproximadamente R$ 66 mil.
A corporação avalia que, embora os valores sejam inferiores aos montantes investigados em outras frentes da operação, a prática pode caracterizar vantagem concedida em razão do exercício de função pública.
Reuniões no Senado
A investigação também aponta a realização de encontros entre Augusto Lima e Jaques Wagner no gabinete do senador, em Brasília. Mensagens analisadas sugerem que algumas reuniões teriam sido organizadas em ambiente considerado mais reservado para evitar exposição pública.
Um dos diálogos cita o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias. No entanto, ele negou ter participado de qualquer reunião com Augusto Lima e não é alvo da investigação.
Defesa
Após a divulgação dos documentos, Jaques Wagner afirmou que está tranquilo em relação às investigações e declarou que pretende comprovar sua inocência. O senador, que buscará a reeleição neste ano, nega irregularidades.
A investigação segue em andamento e caberá às autoridades responsáveis analisar o conjunto de provas reunidas pela Polícia Federal antes de eventual apresentação de denúncia.




