Justiça marca novo júri de PM e ex-PM acusados de matar adolescente de 15 anos em SP
Tribunal de Justiça anulou absolvição anterior e determinou novo julgamento dos dois réus pela morte de Guilherme Silva Guedes, ocorrida em 2020
A Justiça de São Paulo marcou para a próxima terça-feira (11) um novo julgamento do policial militar Adriano Fernandes de Campos e do ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues, acusados de envolvimento na morte do adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, na zona Sul da capital paulista, em junho de 2020.
O júri está previsto para começar às 9h, no Plenário 6 da 1ª Vara do Júri da Capital. A nova sessão foi determinada após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) anular a decisão que havia absolvido Adriano em 2021 e ordenar a realização de um novo julgamento dos dois acusados.
Na época, apenas Adriano Fernandes de Campos havia sido levado ao Tribunal do Júri. O Conselho de Sentença decidiu pela absolvição do policial, após entender que não havia comprovação de autoria do crime. Já Gilberto Eric Rodrigues não foi julgado naquele momento porque estava foragido e o processo contra ele havia sido suspenso.
Após ser localizado e preso, o ex-PM passou a responder novamente pela ação penal, permitindo o andamento do processo.
TJSP anulou absolvição e determinou novo julgamento
A anulação da decisão anterior ocorreu após recurso apresentado pelo Ministério Público de São Paulo. Com a decisão, o TJSP determinou que os dois réus sejam julgados novamente.
Segundo a Justiça, um novo júri chegou a ser marcado para agosto de 2024, mas foi adiado em diversas ocasiões por pedidos da defesa de Gilberto Eric Rodrigues. A decisão da 1ª Vara do Júri da Capital afirma que esta será a quarta redesignação do julgamento motivada por solicitações da defesa do ex-policial.
A magistrada responsável pelo caso determinou ainda o envio de um ofício à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) para avaliar uma possível infração disciplinar do advogado responsável pela defesa de Gilberto.
A defesa de Adriano Fernandes de Campos afirmou que discorda da decisão que anulou a absolvição concedida pelo Tribunal do Júri em 2021. Os advogados Renato Soares e Mauro Ribas disseram que a medida enfraquece o princípio da soberania dos veredictos e afirmaram confiar que um novo julgamento comprovará a inocência do acusado.
Relembre o caso
Guilherme Silva Guedes desapareceu na madrugada de 14 de junho de 2020, após ser retirado de casa na rua Rolando Curti, na Vila Clara, zona Sul de São Paulo.
De acordo com as investigações, o adolescente foi levado por homens armados e posteriormente encontrado morto a tiros na Travessa da Saúde, em Diadema, na Grande São Paulo.
Segundo o Ministério Público, Adriano, que era responsável por uma empresa de segurança contratada para atuar em um canteiro de obras, e Gilberto, que na época estava foragido do Presídio Militar Romão Gomes, teriam abordado o adolescente, colocado a vítima em um veículo e levado o jovem até o local onde ele foi morto.
A promotoria afirma que o crime teria sido cometido por motivo torpe, com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de meio cruel. A acusação também aponta que os réus teriam atuado como uma espécie de milícia privada, utilizando a prestação de serviço de segurança para impor medo e controle na comunidade.
Morte provocou protestos na zona Sul de SP
A morte de Guilherme causou revolta entre moradores da região. Familiares e moradores realizaram protestos após o desaparecimento e a confirmação da morte do adolescente.
As manifestações ocorreram inicialmente na rua onde a família do jovem morava. Durante os atos, ônibus foram incendiados na avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, e equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para controlar a situação.
O novo julgamento deverá definir novamente a responsabilidade dos acusados pela morte do adolescente, quase seis anos após o crime.




