Influenciadora denuncia deepfake após foto de biquíni ser usada para criar nude falsa com inteligência artificial
Débora Sanchez afirmou que imagens publicadas nas redes sociais foram manipuladas e divulgadas em site adulto; caso reacende debate sobre crimes envolvendo uso de IA
Uma influenciadora digital denunciou ter sido vítima de um golpe envolvendo inteligência artificial após fotos publicadas em suas redes sociais serem manipuladas para criar imagens pornográficas falsas. O caso foi revelado em reportagem do programa Fantástico.
Segundo Débora Sanchez, criminosos utilizaram fotos reais dela, incluindo imagens de biquíni, e fizeram montagens com partes íntimas de outra pessoa para simular uma nudez que nunca existiu. O material teria sido divulgado em um site adulto.
“Minhas fotos foram modificadas. Eu estou totalmente nua em um site adulto”, relatou a influenciadora durante a entrevista.
Após descobrir a fraude, Débora reuniu provas, salvou capturas de tela do conteúdo e procurou a polícia para registrar uma denúncia.
Vítima chegou a questionar se tinha culpa
A influenciadora contou que passou por um momento de insegurança e chegou a se perguntar se teria alguma responsabilidade pelo ocorrido por ter publicado uma foto de biquíni.
“Eu cheguei, infelizmente, a pensar: será que a culpa é minha? Eu postei uma foto de biquíni”, afirmou.
Depois, ela reforçou que não havia feito nada de errado ao compartilhar uma imagem comum nas redes sociais.
“É tão comum a gente postar uma foto de biquíni. Qual que é o problema disso?”, disse.
Débora afirmou que decidiu tornar o caso público para incentivar outras vítimas de manipulação digital a denunciarem esse tipo de crime.
Apoio da família ajudou no enfrentamento
A influenciadora também destacou que o apoio do marido e dos familiares foi essencial para superar o impacto emocional causado pela exposição.
Segundo ela, o acolhimento recebido ajudou a afastar sentimentos de culpa e medo.
“Minha família ter me acolhido, meu esposo ter me acolhido, em nenhum momento ter pensado que a culpa era minha, foi o que mais me deu força”, declarou.
Apesar do trauma, ela afirmou que tentou não se identificar com o conteúdo falso produzido pelos criminosos.
“Eu não me abalei porque não era eu, não era o meu corpo”, afirmou.
Especialistas alertam para aumento dos casos de deepfake
Especialistas afirmam que os casos conhecidos de deepfake representam apenas uma parte do problema. Para Mariana Valente, diretora e professora do InternetLab, muitas vítimas ainda não conseguem denunciar ou identificar a origem das manipulações.
“Dá para dizer com bastante certeza que os casos que a gente conhece são a ponta do iceberg”, afirmou.
Segundo ela, grande parte dos conteúdos falsificados com inteligência artificial envolve imagens íntimas falsas de mulheres.
O termo deepfake é usado para definir conteúdos criados ou modificados por ferramentas de inteligência artificial capazes de reproduzir rostos, corpos e vozes de pessoas reais.
Mercado de imagens falsas preocupa pesquisadores
Pesquisadores também identificaram a existência de um mercado de produção e divulgação de imagens falsas geradas por IA.
O laboratório NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), encontrou anúncios envolvendo imagens manipuladas de personalidades públicas circulando em plataformas digitais.
O levantamento apontou a existência de dezenas de anúncios com conteúdos falsificados, aumentando a preocupação sobre a facilidade de criação e disseminação desse tipo de material.
Casos como o de Débora Sanchez reforçam o alerta sobre os riscos do uso criminoso da inteligência artificial e a necessidade de medidas para responsabilizar quem produz e compartilha imagens falsas.




