HomeCidadesGilmar Mendes cobra explicações de Fux sobre afastamento de diretor da PF

Gilmar Mendes cobra explicações de Fux sobre afastamento de diretor da PF

Decano do STF critica rapidez na votação que afastou Andrei Rodrigues e questiona falta de comunicação prévia aos integrantes da Segunda Turma.

Gilmar Mendes cobra explicações de Fux sobre afastamento de diretor da PF

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou a condução dos trabalhos da Segunda Turma da Corte, presidida pelo ministro Luiz Fux, durante a votação que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A manifestação foi feita por meio de um ofício e consta de despacho assinado por Gilmar na sexta-feira (11). O documento, obtido pela CNN, registra o “descontentamento com a forma como foram conduzidos os trabalhos”, principalmente em razão da rapidez com que os votos foram apresentados.

Segundo Gilmar, no dia 8 de setembro, às 9h29, o ministro André Mendonça, relator do processo, incluiu o caso na pauta. Nove minutos depois, às 9h38, o gabinete de Gilmar teria sido comunicado sobre a inclusão.

O ministro afirmou que a sessão virtual foi marcada após um entendimento entre Fux e Mendonça, sem que os demais integrantes da Segunda Turma fossem previamente comunicados.

“Na realidade, pela própria dinâmica dos acontecimentos, surge evidente que, no momento em que o feito foi incluído em pauta, já existia prévio ajuste”, escreveu Gilmar.

Críticas à rapidez da votação

Gilmar também questionou o intervalo entre a abertura da sessão e a apresentação dos primeiros votos. Segundo ele, poucos minutos após o início da votação, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o voto do relator.

Para o decano, o período foi insuficiente para que um integrante do colegiado pudesse analisar os autos, compreender a extensão da medida e formar uma convicção segura sobre a decisão.

“Não é razoável esperar que, nesse intervalo, um julgador examine os autos, compreenda a extensão da medida e forme convicção segura sobre a sua legitimidade”, afirmou.

Na avaliação de Gilmar, a forma como a votação foi conduzida poderia caracterizar uma condução inadequada dos trabalhos e não estaria de acordo com o princípio da colegialidade.

Questionamento sobre a Segunda Turma

Gilmar destacou ainda que a Segunda Turma é formada por cinco ministros e que cabe ao presidente do colegiado coordenar os trabalhos por meio do diálogo com todos os integrantes.

“É colegiado de cinco membros, à frente do qual está um presidente eleito para coordenar os trabalhos mediante diálogo com todos os integrantes, sem inclinação por qualquer deles”, escreveu.

O ministro voltou a apresentar a mesma reclamação durante a sessão da última terça-feira (15), quando o STF analisou se pedidos de investigação envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam tramitar de forma conjunta ou separada.

O episódio ocorre em meio a divergências públicas entre ministros da Corte sobre a condução de processos e investigações no Supremo.

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