Falso treinador do Grêmio tentou aplicar golpe em zagueiro do Flamengo e MC Hariel
Suspeito de 29 anos foi preso no Rio de Janeiro; investigação aponta que ele usava perfis falsos para pedir transferências via Pix a jogadores e personalidades
O zagueiro Léo Ortiz, do Flamengo, e o cantor MC Hariel também foram alvos de uma tentativa de golpe atribuída a um homem suspeito de se passar pelo técnico português Luís Castro. O investigado, identificado como Lucas de Oliveira Eduardo, de 29 anos, foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, Lucas é ex-jogador das categorias de base do Grêmio e faria parte de um grupo especializado em utilizar perfis falsos em aplicativos de mensagens para se passar por treinadores e pessoas próximas de jogadores de futebol.
No caso de Léo Ortiz e MC Hariel, porém, o suspeito não teria utilizado diretamente o nome de Luís Castro. De acordo com a polícia, ele teria se apresentado como outra pessoa com quem os dois mantinham algum tipo de relação próxima. O nome utilizado ainda não foi divulgado pelas autoridades.
Jogador do Grêmio perdeu R$ 22 mil
A investigação aponta que um dos principais alvos do grupo foi o atacante colombiano José Enamorado, do Grêmio. O jogador recebeu mensagens do falso treinador e acabou transferindo R$ 22 mil via Pix.
O golpista teria convencido o atleta de que o dinheiro seria destinado à compra de 300 cestas básicas, que seriam doadas a uma instituição social no Rio de Janeiro. Cada cesta teria sido apresentada pelo suspeito pelo valor de R$ 75.
A primeira tentativa de transferência não foi concluída devido ao limite diário da conta bancária do jogador. O suspeito então orientou a vítima a realizar o pagamento na manhã seguinte e pediu que a conversa fosse mantida em sigilo.
No dia seguinte, a transferência foi efetuada. Depois do pagamento, o investigado ainda teria enviado ao jogador uma suposta confirmação de que as cestas básicas haviam sido recebidas pela instituição.
Golpista tentou aumentar o prejuízo
Após conseguir o primeiro pagamento, o suspeito tentou aplicar um novo golpe contra o mesmo jogador. Desta vez, afirmou que outro atleta, que estaria fora do Brasil, também pretendia fazer uma doação de 600 cestas básicas, no valor de aproximadamente R$ 50 mil.
O golpista pediu que o jogador adiantasse o dinheiro, com a promessa de que seria ressarcido posteriormente. A transferência, entretanto, não foi realizada porque o valor ultrapassava novamente o limite diário da conta.
Para dar credibilidade à história, o suspeito teria citado outros jogadores do elenco e solicitado que a vítima não comentasse as conversas com os companheiros.
Léo Ortiz e MC Hariel foram avisados pela polícia
O delegado Gabriel Lourenço afirmou que a polícia conseguiu identificar as tentativas de contato com Léo Ortiz e MC Hariel antes que eles sofressem prejuízo financeiro.
Segundo o investigador, os dois chegaram a conversar diretamente com o suspeito, mas foram alertados pelas autoridades e não realizaram pagamentos.
“Conseguimos avisar e prevenir que isso resultasse em um golpe contra esses jogadores”, afirmou o delegado.
Outros nomes ligados ao futebol também teriam sido abordados. O zagueiro Walter Kannemann, do Grêmio, teria recebido contato e desconfiado da abordagem, procurando a polícia. A denúncia do jogador argentino teria ajudado a dar início à investigação.
O ex-jogador Andrés D’Alessandro também teria sido procurado pelo golpista, mas não chegou a fazer qualquer transferência.
A polícia afirma ainda ter identificado outros jogadores e personalidades ligados a clubes de diferentes estados e até a uma equipe do futebol europeu entre os possíveis alvos.
Operação Falso 9
A investigação é conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A operação, batizada de Falso 9, cumpriu nesta quarta-feira um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão em Itaperuna (RJ).
O suspeito é investigado pelos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
As autoridades apuram ainda a participação de outras pessoas no esquema e a utilização de contas bancárias de terceiros para receber os valores obtidos por meio das fraudes.




