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Respeitar os pais sem perder o casamento: psicóloga alerta sobre limites dentro da relação

“Honrar pai e mãe” está causando divórcios? Entenda a diferença entre respeito e falta de limites no casamento

Especialista explica que o problema não está em honrar os pais, mas na confusão entre respeito, obediência e interferência na vida do casal

A frase “honrar pai e mãe tem trazido muitos divórcios” tem circulado em debates sobre relacionamentos, mas a psicologia mostra que a questão é mais complexa. O problema não está no ato de honrar os pais, mas na forma equivocada como algumas pessoas interpretam esse conceito dentro do casamento.

Estudos na área da psicologia familiar apontam que a interferência excessiva da família de origem — incluindo pais e sogros —, a dificuldade de estabelecer limites e a falta de diferenciação emocional do casal estão associadas a menores níveis de satisfação conjugal e a uma maior instabilidade nos relacionamentos.

O que a ciência não afirma é que “honrar pai e mãe causa divórcio”. O conflito surge quando esse princípio é confundido com submissão, dependência emocional ou com a ideia de que os pais devem ocupar uma posição acima do próprio casamento.

Na psicologia sistêmica, um relacionamento saudável envolve a capacidade do adulto de construir sua própria identidade e deixar o papel de filho dependente para assumir plenamente o papel de marido ou esposa. Isso não significa abandonar ou desrespeitar os pais, mas estabelecer uma nova organização emocional e familiar.

Muitos casais enfrentam dificuldades quando não conseguem criar fronteiras claras com suas famílias de origem. A opinião dos pais passa a interferir nas decisões do casal, problemas conjugais são compartilhados constantemente com familiares e escolhas importantes deixam de ser tomadas pelos próprios parceiros.

Honrar não é obedecer sem questionar. Honrar é tratar com respeito, dignidade, amor e gratidão.

Manter uma relação saudável com os pais não significa permitir invasões, abrir mão dos próprios valores ou colocar os desejos da família de origem acima da união construída pelo casal.

O casamento exige parceria, diálogo e prioridade entre os cônjuges. Quando duas pessoas decidem construir uma vida juntas, é necessário que elas aprendam a proteger esse vínculo, criando limites que preservem a intimidade e a autonomia da nova família formada.

A grande dificuldade de muitos relacionamentos está justamente nessa transição: compreender que continuar amando e respeitando os pais não impede que o casamento seja uma nova prioridade emocional.

“Honrar pai e mãe não significa colocar os pais em primeiro lugar no casamento. Significa reconhecer sua importância, mas também compreender os limites necessários para que a relação conjugal seja saudável”, explica a psicóloga Monian Castilho, formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia.

Por Psicóloga Monian Castilho
Pedagoga e pós-graduada em Psicopedagogia

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