Putin ameaça retaliar União Europeia caso bloco apreenda navios russos
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou adotar medidas de retaliação contra países da União Europeia caso autoridades do bloco avancem com a apreensão de embarcações russas ou de cargas transportadas por esses navios.
A declaração ocorre em meio à intensificação das sanções europeias contra a chamada “frota paralela” russa, formada por embarcações que navegam sob bandeiras estrangeiras e são acusadas de ajudar Moscou a contornar as restrições impostas devido à guerra na Ucrânia.
No mês passado, a União Europeia aprovou um novo pacote de sanções que amplia as medidas contra a Rússia e permite que países-membros vendam petróleo ou outras cargas apreendidas de navios integrantes da chamada frota paralela.
Putin classificou os planos europeus como uma forma de “pirataria e roubo” e afirmou que a Rússia poderá responder caso as medidas sejam colocadas em prática.
“Se isso começar a acontecer na prática, seremos forçados a responder da mesma forma. […] Agiremos onde quer que consideremos necessário e apropriado, inclusive na área de responsabilidade da Frota do Pacífico”, declarou o presidente russo, segundo a agência estatal Tass.
Rússia ameaça resposta no mar
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, também fez ameaças de retaliação contra embarcações de países europeus.
Em uma publicação nas redes sociais, Medvedev afirmou que muitos navios da Europa Ocidental também utilizam bandeiras de conveniência. Segundo ele, Moscou poderia adotar uma resposta considerada “simétrica” caso embarcações russas fossem apreendidas.
O político russo chegou a afirmar que a Rússia teria o direito de atacar navios mercantes de países considerados inimigos, inclusive em águas neutras, caso houvesse suspeita de que estivessem transportando cargas para adversários.
Medvedev também criticou o uso do termo “frota paralela” pelas autoridades europeias. Segundo ele, trata-se de navios mercantes que pertencem a proprietários russos, mas são registrados em outros países para reduzir custos e exigências regulatórias.
Escalada das tensões
As declarações de Putin e Medvedev aumentam a tensão entre Moscou e países europeus em um momento de ampliação das sanções contra a Rússia.
O governo russo considera ilegais eventuais apreensões de embarcações e cargas e afirma que as medidas violariam o direito marítimo internacional.
A União Europeia, por outro lado, mantém a estratégia de pressionar setores considerados importantes para a economia russa, especialmente o comércio de petróleo, com o objetivo de reduzir as receitas utilizadas por Moscou para financiar a guerra na Ucrânia.
O avanço dessas medidas e as ameaças de retaliação levantam preocupações sobre uma possível escalada dos conflitos no ambiente marítimo internacional.




