Infantino sofre novo revés e perde apoio da Nova Zelândia para reeleição na Fifa
País da Oceania retirou o apoio ao dirigente e defendeu uma revisão independente da proposta de venda de participação em direitos comerciais da entidade
A Nova Zelândia retirou, nesta sexta-feira (14), o apoio à candidatura de Gianni Infantino à reeleição como presidente da Fifa. A decisão ocorre em meio à crise provocada pelo plano que previa a venda de participação em direitos comerciais da entidade a investidores privados.
A proposta foi abandonada após enfrentar forte resistência de confederações e federações nacionais. Segundo a Federação de Futebol da Nova Zelândia (NZF), é necessária uma revisão independente para esclarecer como o projeto foi elaborado e quais mecanismos de supervisão foram utilizados.
Nova Zelândia pede investigação independente
Andrew Pragnell, diretor-executivo da NZF, afirmou que a revisão não deve ficar restrita à própria estrutura da Fifa.
Segundo ele, uma análise independente ajudaria a recuperar a confiança na liderança da entidade e permitiria esclarecer como as decisões relacionadas ao projeto foram tomadas.
A Confederação de Futebol da Oceania (OFC), por sua vez, adotou uma postura mais cautelosa. A entidade reconheceu avanços no desenvolvimento do futebol na região durante a gestão de Infantino e defendeu que a revisão seja utilizada para identificar possíveis mudanças na administração da Fifa.
Crise envolve confederações
Infantino enfrenta resistência de importantes confederações. Uefa, Confederação Asiática de Futebol (AFC) e Concacaf já defenderam uma revisão da condução do projeto e questionaram a transparência do processo.
O dirigente suíço busca um quarto mandato à frente da Fifa no Congresso da entidade, previsto para março do próximo ano. A Conmebol e a Confederação Africana de Futebol (CAF), por outro lado, mantêm apoio à candidatura.
A oposição das três confederações representa 136 das 211 associações-membro que participam da eleição presidencial.
Projeto previa bilhões em investimentos
A proposta apresentada por Infantino previa separar os direitos comerciais da Copa do Mundo e vender 20% de participação a investidores privados. A expectativa era levantar cerca de US$ 4,2 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 21 bilhões.
O plano também previa repasses de US$ 20 milhões para cada associação-membro no próximo ciclo de financiamento, com possibilidade de o valor chegar ao dobro caso os países aderissem ao acordo.
Após uma reunião de crise realizada no Marrocos, a Fifa retirou a proposta e pediu desculpas às 211 associações-membro pela forma como o projeto foi conduzido.
Apoio ainda permanece entre aliados
Apesar da perda de apoio da Nova Zelândia e da oposição de algumas confederações, Infantino ainda conta com aliados dentro da entidade.
Dirigentes de federações nacionais árabes, incluindo representantes de Qatar e Marrocos, manifestaram apoio ao suíço. A Confederação Africana de Futebol também confirmou, por unanimidade, respaldo à candidatura de Infantino.
A Nova Zelândia, entretanto, defende que a revisão independente esclareça também a participação de empresas e investidores envolvidos no projeto, incluindo a Thrive Capital, apontada como uma das empresas que teriam papel relevante na proposta.
A crise deve continuar sendo um dos principais temas da preparação para a eleição presidencial da Fifa no próximo ano.




