Vítima afirma que apresentou comprovante de pagamento, mas ainda assim foi constrangida após abordagem em loja
A médica Érica Lopes Castilho denunciou ter sofrido racismo após ser acusada de furto dentro de um shopping em Goiânia. O caso aconteceu no último dia 13 de maio e foi registrado na Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Deacri).
Segundo o boletim de ocorrência, Érica havia comprado uma blusa branca de manga longa por R$ 179,99 utilizando o caixa de autoatendimento de uma loja do shopping. Após deixar o estabelecimento e caminhar por outro comércio, ela foi abordada por um funcionário, que teria insinuado que ela saiu sem pagar pelo produto.
A médica relatou que apresentou imediatamente o comprovante fiscal da compra, mas afirmou que a situação continuou, causando constrangimento diante de outras pessoas no local. Segundo ela, a abordagem teve relação com o fato de ser uma mulher preta.
Em relato, Érica questionou o motivo de ter sido abordada mesmo após utilizar corretamente o caixa de autoatendimento. Ela também afirmou suspeitar que estava sendo observada enquanto olhava as peças dentro da loja.
Ainda conforme o relato, um segurança do shopping acompanhou a situação à paisana e depois se apresentou durante a abordagem. Após o esclarecimento de que não houve furto, ele teria encaminhado a médica até a ouvidoria do centro comercial.
Érica contou que ficou emocionalmente abalada com o episódio e precisou procurar apoio psicológico. A médica atua como plantonista na região do Jardim América e afirmou ter receio de ser reconhecida por pacientes ou conhecidos durante o constrangimento.
A advogada da vítima, Maria Eduarda Lôbo, informou que já solicitou a preservação das imagens de segurança e a apuração do caso pela Polícia Civil. Segundo a defesa, medidas cíveis e criminais serão adotadas por falsa imputação de crime, exposição pública e violação da dignidade da médica.
Até o momento, a loja citada na ocorrência não se pronunciou sobre o caso.


