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Mãe encontrou vídeo gravado por jovem antes de morrer em acidente: “Senti o desespero dela”

Estudante de direito implorou para motorista parar o carro minutos antes de capotamento na BR-060, em Alexânia

 

A mãe da estudante Kimmberlly Gisele Pereira Rodrigues afirmou ter encontrado no celular da filha o vídeo gravado momentos antes do acidente que matou a jovem, em Alexânia. Nas imagens, Kimmberlly aparece implorando para que o motorista parasse o carro durante a viagem para Brasília.

Segundo Keila Aparecida Farinha, mãe da estudante, o vídeo revelou o medo que a filha sentia naquele momento.

“Senti o desespero dela. A voz dela era de muito medo mesmo. Ela sabia que não voltaria para casa com vida, por isso começou a falar para deixar uma prova”, relatou.

Keila contou que, após o acidente, teve a sensação de que encontraria o celular da filha no pátio onde o veículo estava apreendido. Ela e o marido foram até o local e conseguiram recuperar o aparelho.

No vídeo encontrado na galeria do celular, Kimmberlly pede repetidamente para que o motorista interrompa a viagem.

“Ivan, por favor, estou com medo. Ivan, por favor, vamos para minha casa?”, diz a jovem na gravação. O homem responde com xingamentos e pede para ela parar de filmar.

O motorista do carro, Ivan Rodrigues Cardoso, de 33 anos, foi preso na última quarta-feira (20). À polícia, ele afirmou que mantinha um relacionamento amoroso com a jovem, mas familiares disseram que ele era apresentado apenas como amigo de trabalho.

O acidente aconteceu no dia 4 de maio, na BR-060, quando o carro capotou enquanto seguia de Alexânia para Brasília. Segundo a delegada Silzane Bicalho, os dois haviam passado o dia em uma chácara e depois foram a um bar.

Em depoimento, Ivan afirmou que ficou com ciúmes da jovem durante o passeio e disse que perdeu o controle do carro após ver um vulto na pista. A polícia informou que ele havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente.

Kimmberlly chegou a ser socorrida com vida, mas morreu dentro da ambulância. Ivan foi encaminhado para um hospital em Anápolis.

A investigação apura o caso como possível feminicídio por dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta.

A defesa de Ivan afirmou que o caso ainda está sob investigação e considerou precipitada a classificação do episódio como feminicídio.

Kimmberlly cursava direito e, segundo a mãe, era apaixonada por cachoeiras, muito querida pela família e conhecida por aconselhar os irmãos mais novos.

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