Irã nega diálogo com os EUA e rebate Trump sobre possível acordo entre os países
Teerã afirma que não há negociações em andamento com Washington e diz que conversa com Omã busca apenas uma rota segura temporária pelo Estreito de Ormuz
O Irã negou nesta segunda-feira (3) que esteja realizando negociações com os Estados Unidos para um possível acordo, contrariando uma declaração feita pelo presidente americano, Donald Trump, que afirmou que conversas entre os dois países seriam retomadas nesta data.
A informação foi divulgada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, durante uma coletiva de imprensa transmitida pela televisão. Segundo ele, Teerã mantém apenas discussões com Omã para definir uma rota marítima segura e temporária pelo Estreito de Ormuz, uma das principais passagens para o transporte mundial de petróleo e gás.
“Estamos tentando determinar, o mais rápido possível e em consulta com Omã, uma rota que seja naturalmente temporária e que permita garantir a segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Baghaei.
O porta-voz iraniano também destacou que um eventual entendimento com Omã não significa a reabertura completa do estreito. Segundo ele, a situação permanecerá sem mudanças enquanto continuarem as ações militares dos Estados Unidos contra o Irã.
A declaração ocorre após Trump afirmar que havia cancelado um “ataque maciço” contra o território iraniano e que os dois países voltariam a discutir uma possível solução diplomática. O governo de Teerã, no entanto, negou qualquer retomada de negociações.
Tensão no Estreito de Ormuz aumenta preocupação internacional
O Estreito de Ormuz segue no centro das preocupações internacionais por ser uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Antes do aumento das hostilidades, o corredor era responsável pelo transporte de aproximadamente um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito consumidos globalmente.
Dados da empresa de análise marítima Kpler indicam que o fluxo de navios pela região sofreu redução nos últimos dias. No sábado (1º), apenas 10 embarcações mercantes atravessaram o estreito, contra 19 registradas na sexta-feira.
A Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou ainda relatos de novos incidentes envolvendo navios-tanque desde o fim de semana. A empresa grega Gaslog comunicou um episódio envolvendo o navio de transporte de gás natural liquefeito Gaslog Shanghai, ocorrido em 31 de julho.
Além do Estreito de Ormuz, outra rota estratégica, o Estreito de Bab el-Mandeb, também registrou queda no movimento de embarcações. Segundo a Kpler, o número de navios mercantes que passaram pelo local caiu para 18 no domingo, ante 27 no sábado e 28 na sexta-feira.
Enquanto Washington e Teerã trocam declarações, a comunidade internacional acompanha os desdobramentos da crise e os impactos sobre o comércio marítimo e o mercado global de energia.
Com informações da Reuters e CNN Internacional




