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Flávio Bolsonaro enfrenta isolamento após divulgar carta com acusações de fraude e viajar para os EUA

Declarações do senador provocaram distanciamento de aliados, que defenderam o respeito ao resultado das urnas após a vitória de Lula.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas, após uma viagem marcada por informações contraditórias sobre o trajeto. Já em território norte-americano, ele divulgou uma carta com acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas e chegou a se declarar o “verdadeiro presidente do Brasil”, antes de alterar o texto e passar a se apresentar como “líder do Brasil”.

A publicação provocou reações e sinais de distanciamento entre aliados políticos. Integrantes da direita que apoiaram sua candidatura à Presidência defenderam o respeito ao resultado das urnas, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, afirmou que nem ele nem o partido poderiam assegurar que houve fraude na eleição.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se manifestou a favor do resultado eleitoral. “O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, declarou. Já a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, afirmou que a eleição terminou e defendeu a união da direita.

Carta teve diferentes versões

O texto divulgado por Flávio Bolsonaro circulou em pelo menos quatro versões, duas delas publicadas por aliados e outras duas pelo próprio senador. Nas primeiras versões, ele se apresentava como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, retirou a palavra “eleito”, mas manteve a afirmação de que seria o verdadeiro presidente. Na versão seguinte, passou a usar a expressão “líder do Brasil”.

Na carta, Flávio afirmou que teria presenciado uma fraude eleitoral e questionou a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que foi advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O senador alegou que a votação teria permitido um aumento expressivo dos votos de Lula entre o primeiro e o segundo turno. No entanto, não apresentou provas que sustentassem a acusação. A narrativa repete questionamentos feitos por apoiadores do bolsonarismo sobre o processo eleitoral.

Antes de deixar o Brasil, Flávio já havia colocado em dúvida o resultado da eleição, alegando que a Justiça Eleitoral permitiu a ampliação do horário de votação em algumas localidades. O próprio PL, porém, também havia solicitado a extensão do horário em determinados locais. Ao final, o partido desistiu de protocolar uma ação para pedir a nulidade do pleito.

Trump descarta envolvimento na crise brasileira

Apesar de ter recebido autorização para entrar nos Estados Unidos, Flávio não obteve, segundo as informações divulgadas, confirmação de concessão de asilo político. O Departamento de Estado norte-americano informou que a autorização seria para visto, após aliados do senador especularem sobre a possibilidade de proteção política.

Questionado por jornalistas sobre a situação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não pretende se envolver na crise política brasileira. Ele também classificou a eleição como “muito estranha”, mas evitou comentar diretamente a viagem do senador.

Na carta, Flávio agradeceu ao presidente argentino Javier Milei e a Trump pelo que descreveu como apoio à sua saída do Brasil. Milei e Trump são aliados políticos da família Bolsonaro. O presidente argentino, segundo o relato publicado, teria contribuído com a etapa da viagem pela Argentina, enquanto os Estados Unidos autorizaram a entrada do senador e de sua família.

Trajeto até Miami levanta questionamentos

A viagem foi marcada por versões divergentes sobre a localização de Flávio e o percurso realizado. O senador deixou o Brasil em um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly.

Segundo informações citadas na reportagem original, a aeronave chegou a Porto Iguaçu, na Argentina, na noite de segunda-feira (26). Inicialmente, houve informações de que Flávio estaria no país, mas autoridades argentinas negaram, na manhã de terça-feira (27), que ele tivesse ingressado em território argentino. Mais tarde, a Direção Nacional de Migrações informou que o senador e a família haviam entrado no país às 22h50 de segunda-feira.

O avião deixou Porto Iguaçu na madrugada de quarta-feira (28), seguiu para Guayaquil, no Equador, e depois partiu para Miami. O trajeto contornou o espaço aéreo brasileiro.

Durante o período, aliados divulgaram informações conflitantes sobre a localização do senador. Algumas versões indicavam que ele já estaria nos Estados Unidos, enquanto outras mencionavam rotas diferentes. A divulgação dessas informações levantou dúvidas sobre uma possível tentativa de despistar a imprensa e as autoridades durante a viagem.

Saída ocorreu após determinação sobre passaportes

A viagem também ocorreu após uma determinação judicial para que Flávio entregasse seus passaportes brasileiros. A medida foi solicitada pela Polícia Federal sob o argumento de risco de fuga e determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, após o anúncio do resultado eleitoral.

O senador, porém, viajou utilizando o passaporte italiano, obtido em 2023. Segundo a Polícia Federal, ele não é considerado foragido, pois não há mandado de prisão contra ele.

A saída do país e a divulgação da carta ampliaram as divergências dentro do campo político que apoiou sua candidatura. Enquanto aliados próximos à família Bolsonaro sustentaram críticas ao processo eleitoral, outras lideranças da direita passaram a enfatizar a necessidade de respeitar o resultado das urnas.

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