Em entrevista ao Portal Goiás da Gente, na Assembleia Legislativa, deputada também defendeu boicote a estabelecimentos que demitem funcionários por posicionamento político.
A deputada estadual Bia de Lima (PT) criticou a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e classificou a viagem como uma “fuga”. Em entrevista nesta quarta-feira (28), a parlamentar também defendeu a mobilização de consumidores contra comerciantes que demitirem funcionários por posicionamento político. As declarações ampliam o debate sobre os efeitos da polarização política no país após as eleições.
Ao comentar a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, Bia afirmou que o episódio demonstra, na avaliação dela, uma tentativa de evitar o enfrentamento de questões judiciais no país. A deputada também criticou a postura do senador e fez referências a outros integrantes da família Bolsonaro.
“Na verdade é fuga, não foi ida, é uma fuga”, declarou.
A parlamentar afirmou ainda que considera constrangedora a situação para os apoiadores do bolsonarismo e rejeitou a interpretação de que o caso represente perseguição política. Segundo ela, as medidas judiciais devem ser entendidas como parte do funcionamento da Justiça.
Durante a entrevista, Bia citou acusações relacionadas a lavagem de dinheiro e supostos desvios de recursos, incluindo questionamentos sobre produções relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram feitas pela deputada e não devem ser confundidas com conclusões judiciais definitivas sobre a responsabilidade do senador.
Ao comentar o futuro político de Flávio, a petista disse que já esperava uma saída do país e afirmou que preferiria que ele não retornasse ao Brasil.
Deputada propõe boicote a comerciantes
A entrevista também abordou denúncias de demissões de trabalhadores em razão de posicionamentos políticos. Questionada sobre relatos de funcionários que teriam perdido o emprego por se declararem apoiadores do PT, Bia de Lima afirmou que conversa com pessoas ligadas ao governo Lula para organizar uma mobilização contra estabelecimentos envolvidos nesse tipo de prática.
A deputada defendeu que trabalhadores eventualmente prejudicados busquem medidas judiciais e que consumidores expressem sua posição por meio das escolhas de compra.
“Essas pessoas que estão demitindo por conta de posições políticas merecem enfrentar não só processos, mas também merecem fazer com que nas redes a gente diga para todo mundo não compre desses comerciantes”, afirmou.
Bia declarou que pretende mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para incentivar o boicote às lojas denunciadas por discriminação política. Na avaliação dela, a redução das vendas seria uma forma de pressionar os comerciantes a reverem esse comportamento.
A parlamentar, porém, não apresentou durante a entrevista uma lista de estabelecimentos envolvidos nem detalhou casos específicos de demissões que estariam sendo acompanhados por ela.
Bia pede respeito à democracia após as eleições
Apesar do tom crítico adotado durante a entrevista, Bia de Lima também afirmou que pretende atuar para reduzir a tensão entre grupos políticos. Para a deputada, o fim das eleições deve ser acompanhado pelo respeito às diferentes posições e pelo reconhecimento das regras democráticas.
Ela argumentou que a democracia precisa ser respeitada tanto por quem vence quanto por quem perde uma disputa eleitoral.
“A eleição acabou e quem dizia que defendia a democracia, chegou a hora de de fato defender”, declarou.
A petista também afirmou que o respeito à democracia não pode depender do resultado das urnas e defendeu que os diferentes grupos políticos compreendam o resultado eleitoral.
As declarações ocorrem em um cenário de forte polarização, no qual discussões sobre posicionamento político têm ultrapassado o debate institucional e alcançado as relações de trabalho e as decisões de consumo.
A fala da deputada reúne dois temas distintos: as repercussões políticas da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e as denúncias de discriminação ideológica no ambiente profissional. Em ambos os casos, Bia apresentou sua avaliação e defendeu mobilizações políticas como resposta aos acontecimentos.
Até o momento, a entrevista não trouxe documentos ou informações individualizadas que permitam confirmar os casos de demissão mencionados pela parlamentar. Eventuais denúncias precisam ser apuradas para que sejam identificadas as circunstâncias de cada situação e as responsabilidades envolvidas.




