Decisão anunciada pelo governo Trump ocorre após a queda do regime de Bashar al-Assad e busca facilitar a reinserção do país na economia internacional
Os Estados Unidos retiraram, nesta segunda-feira (24), a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo. A decisão foi anunciada pelo Departamento de Estado e representa uma importante mudança na política de Washington em relação ao país do Oriente Médio.
A medida cumpre uma promessa do presidente Donald Trump de aliviar as sanções impostas à Síria após a queda do regime de Bashar al-Assad.
Com a retirada da lista, o governo sírio deixa de estar sujeito a determinadas restrições previstas na legislação norte-americana para países classificados como patrocinadores do terrorismo. A mudança pode facilitar o acesso da Síria ao sistema financeiro internacional, além de favorecer operações comerciais e os esforços de reconstrução da economia do país.
A decisão ocorre meses depois de Trump anunciar, em maio de 2025, a intenção de suspender parte das sanções contra a Síria. No mês seguinte, o presidente norte-americano assinou uma ordem executiva que encerrou a emergência nacional relacionada ao país e retirou a base de diversas sanções abrangentes.
Em julho deste ano, Trump já havia sinalizado que poderia retirar a Síria da lista após um encontro com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, durante uma reunião relacionada à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na Turquia.
Na ocasião, ao ser questionado sobre a possibilidade de retirar a designação, Trump respondeu afirmativamente e elogiou a atuação de al-Sharaa.
Síria estava na lista desde 1979
A Síria permanecia na lista de Estados patrocinadores do terrorismo desde 1979, quando o país era governado por Hafez al-Assad, pai de Bashar al-Assad.
A classificação impunha uma série de restrições por parte dos Estados Unidos, incluindo limitações relacionadas à assistência externa, venda de armas, exportações e determinadas operações financeiras.
A retirada da designação representa, portanto, uma mudança significativa na relação entre Washington e Damasco e pode abrir espaço para uma maior integração econômica da Síria com outros países.
HTS também é retirado de listas de terrorismo
Além da Síria, o governo norte-americano também anunciou mudanças envolvendo a Frente al-Nusrah, conhecida como Hay’at Tahrir al-Sham (HTS).
O grupo foi retirado da classificação de organização terrorista global especialmente designada. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, também removeu o HTS da lista de Nacionais Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas (SDN).
O HTS foi uma das principais forças armadas que combateram o regime de Bashar al-Assad durante a guerra civil síria. Liderado por Ahmed al-Sharaa, o grupo participou da ofensiva que derrubou Assad em dezembro de 2024.
Posteriormente, al-Sharaa assumiu a Presidência da Síria. A retirada das designações ocorre após o Departamento de Estado dos EUA já ter revogado, em julho de 2025, a classificação do HTS como Organização Terrorista Estrangeira (FTO).




