Mulher é resgatada após cinco dias em cativeiro e ex-companheiro é preso em Águas Lindas
Vítima de 24 anos foi encontrada acorrentada e amordaçada dentro de uma casa; suspeito teve prisão preventiva decretada pela Justiça
Um homem foi preso na última sexta-feira (21) suspeito de sequestrar e manter a ex-companheira em cárcere privado por cinco dias, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. A vítima, Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, foi localizada por policiais da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste dentro de um imóvel no Setor Jardim América III.
Segundo a Polícia Militar, Emiliane estava acorrentada e amordaçada, com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e correntes. Ela também apresentava sinais de agressão e dificuldades respiratórias.
O ex-companheiro da vítima, Ailton Rodrigues de Souza, foi preso em flagrante. O caso é investigado e envolve suspeitas de cárcere privado, agressões físicas e violência sexual.
Vítima havia desaparecido cinco dias antes
Emiliane foi dada como desaparecida na segunda-feira (17). Antes de ser encontrada, uma câmera de segurança registrou a jovem caminhando em direção ao Setor 10, sendo uma das últimas imagens conhecidas dela antes do desaparecimento.
De acordo com o relato da vítima, ela havia marcado um encontro com Ailton para conversar sobre uma audiência relacionada à pensão alimentícia dos dois filhos. O encontro teria acontecido em uma distribuidora administrada pelo suspeito.
Ainda segundo Emiliane, o ex-companheiro teria pedido para que eles reatassem o relacionamento. A conversa, porém, teria terminado em violência. Ela afirma que foi levada para um quarto nos fundos do estabelecimento e posteriormente dopada.
A jovem contou que acreditava estar indo apenas conversar, mas percebeu que se tratava de uma armadilha.
Como aconteceu o resgate
Durante as buscas, os policiais passaram a observar a rotina de Ailton e perceberam mudanças em seus hábitos. O homem teria deixado de comparecer ao trabalho, o que aumentou as suspeitas sobre seu envolvimento no desaparecimento.
Os agentes chegaram a um imóvel alugado pelo suspeito. A residência estava fechada e tinha obstáculos externos. Durante a averiguação, os policiais ouviram ruídos vindos de dentro da casa.
Ao entrarem no imóvel, encontraram Emiliane em um dos quartos, acorrentada e amordaçada. A vítima foi retirada do local e recebeu atendimento.
Uma pistola calibre 9 mm também foi apreendida durante a ação.
Carta escrita durante o cativeiro
Os policiais encontraram ainda uma carta escrita por Emiliane em uma folha de caderno. O documento trazia instruções destinadas à família e pedia que a polícia não fosse acionada.
Segundo a investigação, existe a suspeita de que a jovem tenha sido obrigada a escrever e assinar a carta.
O conteúdo do documento passou a ser analisado pelas autoridades, que ainda buscam esclarecer em quais circunstâncias ele foi produzido e qual era a intenção do suspeito.
Suspeito teve prisão preventiva decretada
Ailton passou por audiência de custódia no sábado (22). A prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva pela Justiça.
A defesa pediu a liberdade provisória, mas a solicitação foi negada. O entendimento foi de que medidas cautelares seriam insuficientes diante da gravidade das circunstâncias investigadas.
Durante a audiência, Ailton afirmou ter sofrido pressão psicológica por parte dos policiais e disse fazer uso de medicamentos calmantes.
Vítima relata agressões
Após o resgate, Emiliane passou a utilizar as redes sociais para agradecer às pessoas envolvidas nas buscas e falar sobre parte do que teria vivido durante os cinco dias em cativeiro.
Ela relatou ter sofrido ferimentos e agressões e afirmou que teria sido submetida a violência com produtos químicos.
A jovem também falou sobre a dificuldade de lidar com os filhos depois do episódio e pediu que as pessoas evitem comentários sobre o caso na presença das crianças.
Investigação continua
A Polícia Civil ainda deve esclarecer a motivação do crime, as circunstâncias do sequestro e o que o suspeito pretendia fazer caso Emiliane não tivesse sido localizada.
As autoridades também investigam as circunstâncias em que a carta foi escrita e as denúncias de agressões e violência sexual relatadas pela vítima.
Ailton permanece preso preventivamente enquanto o caso segue sob investigação.




