Juízas de diferentes estados enviam flores e carta de apoio a Cármen Lúcia
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu nesta quarta-feira (16) 12 buquês de flores e uma carta de apoio assinada por coletivos de magistradas de diferentes estados do país. A manifestação ocorreu um dia após a ministra demonstrar consternação durante uma sessão da Corte marcada por divergências entre os ministros.
Na sessão de terça-feira (15), que discutia uma questão relacionada à possibilidade de abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia acompanhou o presidente do STF, Edson Fachin, pela análise separada dos casos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça. O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Durante sua manifestação, Cármen Lúcia afirmou estar em estado de “profunda consternação e tristeza” diante do cenário vivido pelo Supremo e disse que a exposição da Corte havia provocado um “mal-estar cívico” entre os brasileiros. A ministra também pediu desculpas por considerar que poderia ter contribuído mais para evitar o agravamento das divergências.
Carta destaca trajetória da ministra
A carta enviada à ministra contou com a participação do Comitê de Incentivo à Participação Feminina do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e de outros coletivos de magistradas.
No documento, as juízas afirmam que Cármen Lúcia “não está sozinha” e dizem ter se identificado com o momento de emoção demonstrado pela ministra durante a sessão.
As magistradas também destacaram a trajetória de Cármen Lúcia e fizeram referência a trechos da escritora Clarice Lispector, citados pela ministra durante seu pronunciamento.
Segundo o texto, o objetivo das flores não seria pedir explicações ou respostas, mas demonstrar solidariedade diante do momento vivido pela magistrada.
12 coletivos assinam manifestação
A carta foi assinada por 12 coletivos de magistradas de diferentes tribunais brasileiros:
- Antígona TJPR;
- Candangas TJDFT;
- Catarina TJSC;
- EsperançaR TJRO;
- Sankofa TJSP/TRF3;
- Nísia Floresta;
- Paraibanas TJPB;
- Teia TRT15;
- Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário;
- Comitê de Incentivo à Participação Feminina do TJGO;
- Grupo Maria Firmina TJMA;
- Cotovia TJRN.
A manifestação ocorreu em meio à repercussão da sessão do STF de terça-feira. O placar parcial ficou empatado em 4 a 4 sobre a questão de manter separadas as análises envolvendo Moraes e Mendonça, antes do pedido de vista de Flávio Dino interromper a votação.
A sessão ainda não teve decisão definitiva sobre o mérito da eventual investigação envolvendo Moraes.




