Candidatos ao governo do DF apresentam propostas para enfrentar crise do BRB
O futuro do Banco de Brasília (BRB) se tornou um dos principais temas da disputa pelo Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026. Durante sabatinas realizadas pelo SBT e pelo SBT News, candidatos foram questionados sobre as medidas que pretendem adotar diante da situação financeira da instituição após as operações envolvendo o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre as propostas apresentadas estão a divulgação das demonstrações financeiras do BRB, realização de auditorias, redução de despesas, concentração das atividades do banco no Distrito Federal, ampliação de linhas de crédito e negociações com o governo federal, Banco Central e Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A ausência do balanço financeiro atualizado do BRB foi um dos principais pontos levantados pelos candidatos. O banco ainda não havia divulgado as demonstrações financeiras referentes a 2025, documento considerado importante para dimensionar os impactos das operações com o Master.
A situação também está relacionada à tentativa de viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para reforçar a estrutura financeira do banco.
Ricardo Cappelli cobra divulgação das contas
O candidato Ricardo Cappelli (PSB) colocou a divulgação das contas do BRB como uma das primeiras medidas que pretende adotar caso seja eleito. Para ele, é necessário conhecer a dimensão das perdas antes de definir os próximos passos.
Cappelli também defendeu o rastreamento dos recursos envolvidos nas operações investigadas e afirmou que pretende cobrar das autoridades a responsabilização dos envolvidos.
Outra proposta apresentada pelo candidato é a redução de despesas consideradas não essenciais. Durante a sabatina, ele citou patrocínios realizados pelo banco fora do Distrito Federal como exemplos de gastos que poderiam ser revistos.
Celina Leão aposta em operação de R$ 6,6 bilhões
A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), defende a operação de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos para reforçar a situação financeira do BRB.
A operação, porém, depende de avaliações sobre a situação econômico-financeira da instituição. A ausência das demonstrações financeiras de 2025 é um dos pontos que interferem nas negociações.
Durante a sabatina, Celina afirmou que a divulgação do balanço segue critérios técnicos e não deve ser vinculada ao calendário eleitoral.
A candidata também declarou que o governo trabalha para recuperar recursos por meio de medidas judiciais e afirmou que não considera um cenário de quebra do banco.
Kiko Caputo defende foco na economia do DF
Kiko Caputo (Novo) defendeu que o BRB concentre sua atuação no Distrito Federal e direcione mais recursos para o financiamento da economia local.
Entre as áreas citadas pelo candidato estão o crédito para pequenos e médios empresários, o microcrédito e programas voltados a servidores públicos endividados.
Caputo também criticou gastos do banco com patrocínios realizados fora de Brasília e afirmou que uma eventual liquidação do BRB poderia provocar impactos prolongados sobre a economia do Distrito Federal.
Leandro Grass propõe auditoria independente
O candidato Leandro Grass (PT) defendeu a publicação do balanço financeiro e a realização de uma auditoria independente para identificar a situação patrimonial do BRB.
Segundo Grass, depois de dimensionar as perdas, o governo deveria negociar uma solução com o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos.
Entre as alternativas citadas estão a captação de recursos pelo próprio banco, ampliação das carteiras de crédito, utilização de fundos públicos e negociação com o governo federal para ampliar as linhas de financiamento administradas pelo BRB.
Grass também defendeu o rastreamento dos recursos envolvidos nas operações que levaram à atual situação da instituição.
Paula Belmonte quer concentrar atuação do BRB em Brasília
Paula Belmonte (PSDB) apresentou uma proposta de regionalização das atividades do banco, com prioridade para empresas e para o desenvolvimento econômico do Distrito Federal.
A candidata criticou a expansão do BRB para outros estados e defendeu que a instituição concentre seus recursos no financiamento de empresários e atividades econômicas locais.
Belmonte também defendeu diálogo entre o Governo do Distrito Federal e o governo federal para buscar alternativas para o banco, independentemente das divergências políticas entre as administrações.
Durante a sabatina, ela também criticou a tentativa de aquisição do Banco Master e afirmou que havia alertado anteriormente sobre os riscos da operação.
Arruda participou das sabatinas, mas deixou disputa
José Roberto Arruda (PSD) também participou da série de sabatinas, mas deixou a disputa pelo Governo do Distrito Federal após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar, por 5 votos a 2, o registro de sua candidatura.
O ex-governador declarou que não recorreria da decisão.
Crise do BRB entrou no centro da eleição
Com diferentes propostas, os candidatos que permanecem na disputa apresentaram durante as sabatinas caminhos distintos para lidar com a situação financeira do BRB. Entre os pontos comuns estão a necessidade de obter informações mais detalhadas sobre as contas da instituição e a discussão sobre o papel que o banco deve exercer na economia do Distrito Federal.
A definição do futuro do BRB também envolve órgãos como o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos, além das investigações e medidas relacionadas às operações com o Banco Master.
Redação Jaqueline




