Inflação desacelera para 0,16% em junho, mas analistas veem alívio apenas temporário
A inflação oficial do Brasil perdeu força em junho e registrou alta de apenas 0,16%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração significativa em relação a maio, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia avançado 0,58%.
O índice também ficou abaixo das expectativas do mercado. Levantamento da Broadcast apontava projeção de 0,26% para o mês, enquanto analistas consultados pela Reuters esperavam alta de 0,31%.
Apesar do resultado positivo, economistas avaliam que a melhora deve ser pontual. A desaceleração foi impulsionada principalmente pela queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis, especialmente do etanol, fatores que podem não se repetir nos próximos meses.
No acumulado de 12 meses, o IPCA passou de 4,72% para 4,64%, permanecendo acima do centro da meta de inflação, fixada em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Isso significa que a inflação ainda segue acima do teto estabelecido pelo Banco Central.
Entre os grupos pesquisados, Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,24% em junho, após avanço de 1,33% em maio. A alimentação dentro de casa recuou 0,39%, influenciada por reduções nos preços do café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%). Em contrapartida, produtos como feijão-carioca (8,31%) e batata-inglesa (3,57%) ficaram mais caros.
Já o grupo Habitação apresentou a maior alta do mês, com avanço de 0,63%, embora tenha desacelerado em relação aos 1,22% registrados em maio. A energia elétrica residencial subiu 1,53% em junho, após aumento de 3,67% no mês anterior, mantendo influência importante sobre o índice geral.
Especialistas alertam que, apesar da trégua observada em junho, fatores como preços de serviços, custos de energia, cenário internacional e oscilações das commodities continuam representando riscos para a inflação nos próximos meses. A expectativa predominante do mercado é que o IPCA encerre 2026 ainda acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Com isso, o resultado de junho é visto como uma notícia positiva para consumidores e investidores, mas insuficiente para indicar uma mudança definitiva na trajetória dos preços. Os próximos indicadores serão decisivos para mostrar se a desaceleração da inflação poderá ganhar consistência ao longo do segundo semestre.




