Equipe de Flávio avalia reajuste do Bolsa Família como eleitoral, mas não levará caso ao TSE
A campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia que o reajuste anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Bolsa Família tem finalidade eleitoral. Apesar disso, a equipe jurídica do candidato decidiu não questionar a medida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A estratégia, segundo informações da campanha, é evitar que eventuais críticas ao aumento sejam utilizadas politicamente para associar Flávio a uma posição contrária ao programa de transferência de renda.
O governo anunciou nesta quinta-feira (17) que o benefício médio do Bolsa Família passará de R$ 675 para R$ 777. O valor mínimo também será reajustado, de R$ 600 para R$ 691. A correção começa a ser aplicada a partir da folha de outubro.
Segundo o governo, o reajuste terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027. A equipe econômica afirma que a correção recompõe a inflação acumulada desde 2023.
Campanha evita questionamento
Integrantes da campanha de Flávio consideram que o momento do anúncio, próximo ao primeiro turno das eleições, levanta questionamentos sobre o uso eleitoral da medida. Essa é, porém, uma avaliação atribuída à campanha do candidato e não uma conclusão jurídica sobre eventual irregularidade.
Mesmo com essa avaliação, a equipe jurídica decidiu não apresentar uma ação no TSE contra o reajuste. A preocupação, segundo o relato divulgado pela CNN Brasil, é evitar que a discussão seja utilizada para sustentar a interpretação de que Flávio seria contrário à manutenção do Bolsa Família.
Ao longo da campanha, Flávio tem afirmado que pretende manter o programa caso seja eleito. A proposta apresentada por seus aliados também inclui medidas voltadas à qualificação profissional e à inserção dos beneficiários no mercado de trabalho.
Outra possibilidade discutida por aliados seria aguardar uma eventual iniciativa do Ministério Público Eleitoral para questionar a medida. Também há a possibilidade de que parlamentares aliados apresentem questionamentos sobre o reajuste.
O governo, por sua vez, afirma que a correção foi feita dentro do espaço fiscal disponível e com base na recomposição da inflação.




