Estudo da UEG aponta que família de quatro pessoas precisa de quase R$ 11 mil por mês em Anápolis
Uma família de quatro pessoas precisaria de R$ 10.996,66 por mês para arcar com despesas básicas e manter um padrão de vida considerado adequado em Anápolis, segundo levantamento do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Universidade Estadual de Goiás (NEPE-UEG).
O valor corresponde a 6,78 vezes o salário mínimo de R$ 1.621, vigente em 2026. A estimativa considera gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
O cálculo também leva em conta dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, que aponta que a alimentação representa 23,9% das despesas das famílias da faixa de renda analisada em Goiás.
Apesar de permanecer quase sete vezes acima do salário mínimo, o valor necessário para sustentar uma família de quatro pessoas apresentou queda em relação ao mês anterior. Em junho, a estimativa da UEG era de R$ 11.319,12, equivalente a 6,98 salários mínimos.
A redução ocorreu principalmente em razão da queda no preço da cesta básica em Anápolis.
Cesta básica cai para R$ 876
Em julho, os produtos que compõem a cesta básica pesquisada pela UEG custaram R$ 876,07, uma redução de 2,85% em relação aos R$ 901,76 registrados em junho.
Apesar da queda mensal, os alimentos acumulam alta significativa na comparação anual. Em relação a julho de 2025, a cesta básica de Anápolis ficou 12,92% mais cara.
Entre os produtos pesquisados, o tomate teve a maior queda, de 34,19%. Já o macarrão apresentou a maior alta, de 14,83%.
Os preços são coletados em sete supermercados do município durante a terceira semana de cada mês. O levantamento é realizado desde abril de 2024 e utiliza como referência a metodologia da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Dieese.
Cesta de Anápolis é mais cara que a de Goiânia
Outro dado destacado pelo levantamento é a diferença entre os preços praticados em Anápolis e Goiânia. Em julho, a cesta básica anapolina custou R$ 83,28 a mais que a registrada na capital.
Enquanto a cesta chegou a R$ 876,07 em Anápolis, em Goiânia o valor ficou em R$ 792,79.
De acordo com a comparação feita pelo NEPE-UEG, caso Anápolis participasse do ranking nacional das capitais, o município teria a terceira cesta básica mais cara do país.
Na comparação, Anápolis ficaria atrás apenas de São Paulo, com R$ 915,01, e Cuiabá, com R$ 881,27.
Trabalhador precisa de mais de 16 dias para comprar cesta
Para quem recebe um salário mínimo, a compra dos produtos básicos consome uma parcela significativa da renda mensal.
Em julho, os R$ 876,07 da cesta básica representaram 58,43% do salário mínimo líquido. Considerando uma jornada de 44 horas semanais, o trabalhador precisaria dedicar 118 horas e 54 minutos de trabalho para alcançar o valor necessário para comprar os alimentos.
Isso equivale a aproximadamente 16,2 dias úteis de trabalho destinados exclusivamente à aquisição de uma cesta básica.
O resultado representa uma melhora em relação a junho, quando eram necessárias 122 horas e 23 minutos de trabalho e a cesta comprometia 60,14% do salário mínimo líquido.
Mesmo com a redução dos preços entre junho e julho, o levantamento mostra uma diferença expressiva entre a renda mínima oficial e o valor estimado para cobrir as necessidades de uma família de quatro pessoas em Anápolis: R$ 1.621 de salário mínimo contra quase R$ 11 mil de renda necessária, segundo a UEG.




