Lula cobra responsabilidade e defende reforma no Judiciário em meio à crise no STF
Presidente afirmou que ninguém deve utilizar o cargo público para obter benefícios pessoais e disse que o Brasil precisa discutir uma reforma no Judiciário em 2027
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (4), durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, que ocupantes de cargos públicos não podem utilizar suas funções para obter benefícios pessoais. A declaração ocorre em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a divulgação de informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes.
“Ninguém pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”, declarou Lula. Segundo o presidente, o princípio deve valer para todas as pessoas, independentemente da função que ocupem.
“Isso vale para o presidente, para o catador de material reciclável, para uma médica. Todo mundo deve estar subordinado aos mesmos trâmites da Constituição”, acrescentou.
Durante o evento, Lula também defendeu que o país discuta uma reforma do Judiciário a partir de 2027. A manifestação ocorre em um momento em que o governo federal passou a adotar um tom mais crítico diante da crise envolvendo integrantes da Suprema Corte.
O presidente também voltou a demonstrar preocupação com o que classificou como “vazamentos seletivos” de informações de investigações policiais. Lula afirmou que conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e cobrou uma atuação da Corte e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para ajudar a reduzir a tensão institucional.
Segundo Lula, Fachin e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, têm a responsabilidade de apresentar respostas à sociedade diante dos acontecimentos recentes.
“Eu disse para o Fachin: a Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República estão sob muita expectativa da sociedade brasileira”, afirmou.
O presidente ainda defendeu que as instituições esclareçam os fatos sem ocultar informações. “Está nas suas costas e do Paulo Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade sem esconder absolutamente nada”, disse.
A discussão sobre uma reforma no Judiciário também ganhou espaço no cenário político para 2027. Entre as propostas defendidas por aliados de Lula está a criação de regras mais rígidas de conduta para integrantes do Poder Judiciário, incluindo a possibilidade de um código de ética.
As declarações reforçam a mudança de postura do presidente diante da crise no STF, com Lula passando a cobrar publicamente respostas das instituições e a defender mudanças nas regras que envolvem o funcionamento do Judiciário.




