Empresário que delatou repasses para filme sobre Bolsonaro será ouvido por gabinete de Mendonça
Antonio Carlos Freixo Júnior firmou acordo de delação premiada com a PGR e deverá prestar depoimento na próxima terça-feira antes de o ministro do STF decidir sobre a homologação do acordo
O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, que firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) envolvendo repasses destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, será ouvido na próxima terça-feira (8/9) por um integrante do gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Freixo Júnior é proprietário da empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como o veículo utilizado para realizar repasses de recursos feitos pelo empresário Daniel Vorcaro para a produção do longa-metragem. Segundo as informações divulgadas, os recursos teriam sido destinados ao projeto após uma solicitação atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O acordo de delação foi firmado entre o empresário e a PGR e posteriormente encaminhado ao gabinete de André Mendonça, relator do inquérito relacionado ao caso no STF.
Antes de decidir se irá homologar a colaboração premiada, Mendonça deverá analisar se os relatos apresentados pelo empresário foram fornecidos de maneira espontânea. Para isso, será realizada uma chamada audiência de voluntariedade, procedimento utilizado para verificar as condições em que o acordo foi firmado.
Depoimento será conduzido por juiz auxiliar
Segundo informações obtidas junto a fontes do Supremo, Antonio Carlos Freixo Júnior não deverá ser ouvido diretamente pelo ministro André Mendonça. O depoimento será conduzido por um juiz auxiliar que integra a equipe do gabinete do magistrado.
A audiência faz parte da análise preliminar necessária antes de uma eventual homologação do acordo de colaboração premiada.
O caso envolve as movimentações financeiras relacionadas à produção de Dark Horse, filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e tem despertado atenção das autoridades devido aos recursos utilizados em sua produção.
Além das suspeitas relacionadas aos repasses, o STF também apura possíveis irregularidades envolvendo recursos destinados ao projeto. A análise do acordo de delação poderá acrescentar novas informações às investigações em andamento.
A eventual homologação da colaboração por André Mendonça permitirá que as informações prestadas pelo empresário sejam formalmente incorporadas ao processo e avaliadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.




