Quase 1,7 milhão de crianças ficaram sem o nome do pai na certidão em uma década
O Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), representa uma data de comemoração para muitas famílias, mas também evidencia uma realidade de ausência para milhares de crianças brasileiras. Nos últimos dez anos, 1.666.882 crianças foram registradas apenas com o nome da mãe, sem a identificação paterna na certidão de nascimento.
Os dados são da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) e consideram o período entre 31 de julho de 2016 e 31 de julho de 2026. As informações estão disponíveis no Portal da Transparência da entidade, no painel “Pais ausentes”.
Mais de 175 mil registros por ano
Nos últimos cinco anos, o Brasil registrou, em média, cerca de 175 mil crianças por ano sem o nome do pai na certidão.
Os números foram:
- 2021: 175.005 registros;
- 2022: 176.475;
- 2023: 184.071;
- 2024: 170.100;
- 2025: 174.122.
Somente até 28 de julho de 2026, outras 102.986 crianças já haviam sido registradas sem a identificação paterna.
Os dados mostram a dimensão da ausência de reconhecimento da paternidade no registro civil brasileiro.
Reconhecimento voluntário de paternidade cresce
Ao mesmo tempo em que milhares de crianças continuam sendo registradas apenas com o nome da mãe, a Arpen aponta um movimento de crescimento no número de pais que procuram espontaneamente os Cartórios de Registro Civil para reconhecer oficialmente os filhos.
A entidade projeta que 2026 poderá estabelecer um novo recorde nacional de reconhecimentos voluntários de paternidade.
A expectativa é de aproximadamente 48 mil reconhecimentos espontâneos ao longo do ano, número quase 30% superior ao recorde registrado em 2025 e praticamente o dobro do volume contabilizado em 2021.
Entre 2021 e julho de 2026, 193.339 brasileiros tiveram a paternidade reconhecida oficialmente por meio dos Cartórios de Registro Civil.
Número de reconhecimentos aumenta
O levantamento mostra que os reconhecimentos voluntários passaram de 24.667 em 2021 para 36.835 em 2025.
Nos anos seguintes, foram registrados:
- 2022: 32.647 reconhecimentos;
- 2023: 25.329;
- 2024: 35.495;
- 2025: 36.835.
Somente até 28 de julho de 2026, foram realizados outros 28.364 reconhecimentos espontâneos de paternidade.
Segundo a projeção da Arpen-Brasil, caso o ritmo registrado até julho seja mantido, o número de reconhecimentos em 2026 deverá superar o recorde alcançado no ano anterior.
Os dados mostram dois movimentos distintos no registro civil brasileiro: de um lado, o número expressivo de crianças que ainda são registradas sem a identificação paterna; de outro, o crescimento da procura espontânea de pais que buscam formalizar a paternidade.




