TENSÃO ENTRE EUA E IRÃ VOLTA A ESCALAR APÓS ROMPIMENTO DE ACORDO E NOVA TROCA DE ATAQUES
Confrontos envolvendo o Estreito de Ormuz colocam fim à trégua entre Washington e Teerã e aumentam temor de uma nova escalada militar no Oriente Médio
A tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a crescer nas últimas semanas após o rompimento de um acordo que havia suspendido temporariamente os confrontos entre os dois países. O cenário se agravou com uma série de ataques e contra-ataques que reacenderam o temor de uma escalada militar no Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (1º) que cancelou um ataque planejado contra o Irã após receber, segundo ele, pedidos do governo iraniano e de outros países da região para que a ofensiva fosse adiada enquanto negociações diplomáticas seguem em andamento.
Apesar da declaração, veículos de imprensa iranianos negaram que Teerã tenha feito qualquer pedido aos Estados Unidos. Segundo a mídia local, teria sido o próprio governo americano que decidiu recuar da ação militar.
Como a crise voltou a se intensificar
O último avanço diplomático entre os dois países ocorreu em junho, quando Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento que previa a suspensão das hostilidades enquanto negociavam uma solução definitiva para o conflito.
No entanto, o acordo foi abalado após confrontos envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
Em 1º de julho, representantes dos Estados Unidos e do Irã participaram de negociações indiretas em Doha, no Catar. As conversas foram classificadas como positivas pelas autoridades catarianas, alimentando expectativas de um possível entendimento.
Poucos dias depois, porém, a situação se deteriorou. Em 7 de julho, autoridades americanas acusaram o Irã de atacar três navios mercantes próximos ao Estreito de Ormuz. Como resposta, os Estados Unidos lançaram ataques contra alvos iranianos.
No dia seguinte, o Irã prometeu uma “resposta esmagadora” e afirmou ter realizado ataques contra dezenas de instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait. Em seguida, os Estados Unidos promoveram novos bombardeios.
Ataques e acusações se multiplicaram
Ao longo dos dias seguintes, ambos os lados intensificaram as acusações e as operações militares.
O governo iraniano afirmou que forças americanas atingiram uma ponte ferroviária no norte do país. Já o Comando Central dos Estados Unidos informou ter atacado cerca de 90 alvos militares iranianos em diferentes regiões.
Mesmo com a continuidade de conversas técnicas sobre questões nucleares, a tensão permaneceu elevada. Em 10 de julho, Donald Trump declarou que as negociações seriam mantidas, mas afirmou que o cessar-fogo já não estava mais em vigor.
No dia seguinte, o governo iraniano acusou Washington de descumprir cláusulas relacionadas ao acordo nuclear. Em seguida, a Guarda Revolucionária anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz após um incidente envolvendo uma embarcação que navegava na região.
Os Estados Unidos contestaram a medida e continuaram realizando operações militares, afirmando que a rota marítima permanecia aberta.
Trump avaliou nova ofensiva
Segundo autoridades americanas, o governo dos Estados Unidos chegou a avaliar uma nova onda de bombardeios contra o Irã durante o último fim de semana.
Na sexta-feira, Trump já havia sinalizado disposição para ampliar a campanha militar contra Teerã. Entretanto, no sábado, o presidente afirmou ter suspendido os planos de ataque para abrir espaço a novas tentativas de negociação.
Apesar do recuo momentâneo, o cenário segue instável e especialistas avaliam que qualquer novo incidente poderá provocar uma escalada ainda maior do conflito.




