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Justiça marca júri popular de PMs acusados de matar advogado Davi Sebba em Goiânia após 14 anos

Sessão será realizada nos dias 3 e 4 de setembro; três policiais militares vão responder por homicídio e outros crimes ligados ao caso

 

A Justiça de Goiás definiu para os dias 3 e 4 de setembro de 2026 o júri popular dos três policiais militares acusados de envolvimento na morte do advogado Davi Sebba, assassinato ocorrido em julho de 2012, em Goiânia. O caso, que ganhou grande repercussão à época, chega ao Tribunal do Júri 14 anos depois do crime.

Os réus são os policiais Jonathas Atenevir Jordão, Edinailton Pereira de Souza e Luiz Frederico de Oliveira. A decisão que marcou a data do julgamento foi assinada pelo juiz Antônio Fernandes de Oliveira na última quarta-feira (6).

Segundo o magistrado, as testemunhas deverão comparecer presencialmente no primeiro dia da sessão plenária, marcada para começar às 8h30. O juiz também destacou que o segundo dia de julgamento dependerá da continuidade das oitivas e do andamento da sessão. Ministério Público, advogados de defesa e os acusados terão comparecimento obrigatório.

Ao Mais Goiás, a defesa do policial Jonathas Atenevir Jordão afirmou que recebeu a decisão “com serenidade” e ressaltou que a pronúncia não representa condenação, mas apenas o encaminhamento do processo ao Tribunal do Júri.

“A inocência dele será comprovada no momento oportuno, com base nas provas constantes nos autos e em outras que serão apresentadas. A defesa confia plenamente na Justiça para garantir um julgamento justo”, afirmou a defesa.

Já os policiais Edinailton Pereira de Souza e Luiz Frederico de Oliveira continuam integrando os quadros da Polícia Militar de Goiás e atualmente exercem funções administrativas dentro da corporação.

Em nota enviada ao portal, a PMGO informou que, desde a época dos fatos, adotou todas as medidas administrativas cabíveis conforme a legislação e colaborou integralmente com as determinações do Poder Judiciário.

A corporação destacou ainda que o processo segue tramitando normalmente na Justiça e reafirmou compromisso com a legalidade, transparência e cooperação com os órgãos do sistema de justiça.

“Atualmente, dois dos envolvidos permanecem vinculados à corporação, exercendo funções administrativas, enquanto um terceiro não integra mais os quadros da PMGO”, informou a nota.

O caso aconteceu no dia 5 de julho de 2012. Davi Sebba foi morto com um tiro no peito no estacionamento de um supermercado no Setor Vila União, em Goiânia. Na ocasião, a esposa dele estava internada em uma maternidade prestes a dar à luz ao filho do casal. Segundo relatos da época, o advogado havia ido ao supermercado para comprar fraldas para o bebê.

Naquele período, Davi Sebba era investigado em uma operação relacionada ao tráfico internacional de drogas, mas familiares sempre negaram qualquer envolvimento dele com atividades criminosas. A família também sustentou, desde o início das investigações, que a cena do crime teria sido alterada.

Inicialmente, quatro policiais militares chegaram a ser indiciados pela Polícia Civil. No entanto, o Ministério Público de Goiás denunciou apenas três deles.

Em 2017, Edinailton e Luiz Frederico chegaram a ser absolvidos. Já Jonathas Atenevir foi pronunciado para júri popular por homicídio simples. Na época, o entendimento judicial era de que não havia comprovação de que o policial tivesse dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima.

Posteriormente, a acusação recorreu da decisão e pediu que o caso fosse julgado como homicídio doloso qualificado. Em 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás acatou o pedido e reconheceu a qualificadora relacionada à impossibilidade de defesa da vítima.

No mesmo ano, houve novo recurso da acusação para incluir novamente os outros dois policiais no julgamento. Além do homicídio, eles também passaram a responder por porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada, fraude processual e usurpação de função pública.

Em abril de 2023, a Justiça decidiu que os três acusados deveriam ir a júri popular.

Agora, mais de uma década após a morte do advogado, o caso finalmente será levado ao julgamento popular, considerado uma das etapas mais aguardadas pela família de Davi Sebba e acompanhado de perto pela sociedade goiana.

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