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PF deflagra operação para investigar financiamento do filme ‘Dark Horse’, sobre Bolsonaro

Operação da PF apura financiamento de filme ‘Dark Horse’, ligado a Bolsonaro

PF deflagra operação para investigar financiamento de filme sobre Bolsonaro

Ação autorizada por Flávio Dino cumpre 49 mandados em quatro estados e no Distrito Federal; deputado Mario Frias está entre os alvos

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10/9) uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao filme “Dark Horse”, produção que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Controladoria-Geral da União (CGU) participa das investigações.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que apura possíveis irregularidades na utilização dos recursos.

Ao todo, estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A operação mira 29 pessoas que, segundo as investigações, teriam participado do esquema.

Entre os alvos está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), apontado como autor das emendas parlamentares investigadas. A produtora do filme, Karina Gama, também é alvo da operação.

O caso chegou ao STF após uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).

PF aponta suspeita de desvio de recursos

Em nota, a Polícia Federal informou que as investigações apontam para a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados.

Segundo a corporação, os envolvidos são suspeitos de direcionar valores recebidos para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação de que os serviços contratados tenham sido efetivamente prestados.

A PF afirma ainda que as tentativas de ocultar os supostos desvios teriam continuado até julho deste ano. Levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que fazem parte do esquema investigado.

Os investigadores apuram possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.

Karina Gama negou irregularidades. Em declaração à imprensa, afirmou que a aplicação dos recursos foi feita corretamente e disse: “Não tenho nada para delatar”.

Flávio Bolsonaro não é alvo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não está entre os alvos da operação. Ele, no entanto, é investigado em outro processo, sob relatoria do ministro André Mendonça, por supostamente ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme.

Mensagens divulgadas anteriormente mostram que Flávio teria procurado Vorcaro para solicitar recursos para “Dark Horse”, produção sobre seu pai.

Em outra conversa, o senador teria enviado uma mensagem ao ex-banqueiro afirmando que estaria ao lado dele e pedindo ajuda.

O episódio passou a gerar desgaste político para Flávio Bolsonaro durante a disputa eleitoral.

Investigação também envolve Prefeitura de São Paulo

Além da apuração sobre as emendas parlamentares, o filme também é relacionado a uma investigação que já era conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.

Em agosto, Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar informações da investigação paulista envolvendo a Go Up Entertainment, produtora responsável pelas gravações de “Dark Horse”. A empresa pertence a Karina Gama.

Em junho, a Polícia Civil realizou uma operação em endereços ligados à produtora e em uma secretaria da Prefeitura de São Paulo. O objetivo era investigar possíveis irregularidades e desvios relacionados a um contrato municipal.

A apuração envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. O acordo previa o fornecimento de internet wi-fi gratuita para comunidades carentes.

A suspeita dos investigadores é de que parte dos recursos do contrato possa ter sido desviada e direcionada para a produção do longa-metragem.

Na quarta-feira (9/9), ao determinar o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal, Flávio Dino também citou o impacto do afastamento do diretor-geral sobre as investigações relacionadas ao caso.

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