HomeALVO POLICIALJustiça condena grupo por esquema de “disk drogas” que movimentou R$ 110...

Justiça condena grupo por esquema de “disk drogas” que movimentou R$ 110 milhões em Goiânia

Organização atuou por cerca de dez anos com sistema de entrega e estrutura semelhante a empresa

 

A Justiça de Goiás condenou dez pessoas por envolvimento em um esquema de tráfico de drogas conhecido como “disk drogas”, que funcionou por aproximadamente uma década em Goiânia e movimentou cerca de R$ 110 milhões. As penas, somadas, ultrapassam 145 anos de prisão.

Segundo a decisão judicial, os condenados respondiam por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O líder do grupo, identificado como Baltazar Cabral Júnior, recebeu a maior pena: 39 anos e 10 meses de prisão em regime fechado. Outros integrantes, incluindo operadores, entregadores e pessoas usadas como “laranjas”, tiveram penas menores, com variações entre regimes fechado, semiaberto e aberto.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos, que identificou uma estrutura altamente organizada, semelhante à de uma empresa de logística. O grupo mantinha uma central de atendimento onde os pedidos eram feitos por telefone e, em seguida, encaminhados para entrega em diferentes regiões da capital.

De acordo com o Ministério Público de Goiás, cada integrante desempenhava uma função específica dentro da organização. Havia responsáveis pelo armazenamento e preparo das drogas, coordenação das entregas, atendimento aos clientes e movimentação financeira.

O líder do esquema foi apontado como o responsável pela compra dos entorpecentes e pela estratégia de ocultação dos lucros obtidos com a atividade criminosa. Para lavar o dinheiro, o grupo utilizava empresas de fachada e contas bancárias em nome de terceiros, simulando atividades legais para justificar a origem dos valores.

Além disso, a aquisição de bens de alto valor também fazia parte da estratégia para dificultar o rastreamento do dinheiro pelas autoridades. O volume movimentado ao longo dos anos chamou a atenção dos investigadores e reforçou a complexidade da operação.

Na sentença, a Justiça destacou que o grupo demonstrou capacidade de reorganização mesmo após ter sido alvo de operações policiais anteriores. Por esse motivo, foi negado o direito de recorrer em liberdade aos réus que já estavam presos, diante do risco de continuidade das atividades criminosas.

Entre as principais condenações, além do líder, estão penas superiores a 20 anos para integrantes responsáveis pela operação da central e pela coordenação logística. Já os demais envolvidos receberam punições proporcionais à participação no esquema.

O caso é considerado um dos maiores já identificados em Goiás envolvendo tráfico com modelo de entrega, evidenciando a adaptação do crime organizado a formatos que imitam serviços legais.

MAIS NOTICIAS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

spot_img

Veja também