Irã e EUA disputam controle estratégico de Ormuz em meio à tensão no Oriente Médio
A disputa entre o Irã e os Estados Unidos pelo controle do Estreito de Ormuz continua provocando impactos no transporte marítimo e no mercado internacional de petróleo. Apesar da pressão econômica exercida por Washington, Teerã ainda mantém capacidade de influenciar o tráfego de embarcações na região.
Desde o início do conflito, o número de navios que atravessam o estreito caiu drasticamente. Antes da guerra, eram registradas cerca de 130 travessias por dia. Atualmente, o movimento muitas vezes não chega a dois dígitos.
Entre os grandes petroleiros, a redução também é significativa. Segundo dados da Kpler, uma empresa especializada no monitoramento marítimo, uma média de apenas dois a três superpetroleiros por dia atravessou Ormuz desde 7 de julho. Antes da guerra, a média era de aproximadamente oito embarcações desse tipo diariamente.
Pressão econômica sobre o Irã
A redução do tráfego ocorre em um momento de forte pressão sobre a economia iraniana. O Fundo Monetário Internacional prevê uma retração superior a 5% da economia do país em 2026, enquanto a inflação se aproxima de 80%.
Os Estados Unidos também intensificaram as medidas para dificultar as exportações de petróleo iranianas. Segundo dados da Kpler, o volume de petróleo transportado por navios-tanque do país caiu para uma pequena parcela dos níveis registrados anteriormente.
Apesar disso, o Irã ainda possui aproximadamente 80 milhões de barris de petróleo em trânsito, destinados principalmente à China. O volume poderia representar cerca de US$ 1,5 bilhão por mês em receitas, considerando os preços atuais.
Navios adotam rotas alternativas
Com os riscos de ataques, algumas embarcações passaram a utilizar estratégias para dificultar o monitoramento. Entre elas está o desligamento do sistema de identificação automática, conhecido como AIS.
De acordo com a Kpler, 72 dos 84 petroleiros carregados com petróleo bruto que atravessaram Ormuz desde 7 de julho estavam com os sistemas de rastreamento desligados. A maioria teria utilizado a rota autorizada pelas Nações Unidas por águas de Omã.
O cenário mostra que, mesmo com a presença militar norte-americana e a tentativa de escoltar navios, o Irã continua exercendo influência sobre a região.
Trump aumenta pressão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também elevou o tom contra países que mantenham relações econômicas com o Irã. Na quarta-feira (19), ele ameaçou impor “consequências econômicas enormes” a governos que ofereçam apoio ao país.
Enquanto Washington aposta na pressão econômica para tentar forçar Teerã a recuar, o governo iraniano demonstra disposição para suportar os impactos das sanções e da guerra.
O principal ponto de tensão permanece sendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial de petróleo.
Analistas avaliam que, caso o fluxo de petróleo continue parcialmente preservado, a pressão sobre os preços internacionais pode ser menor. Ao mesmo tempo, a ausência de um bloqueio total pode reduzir a urgência para que qualquer um dos lados encerre o conflito.
O impasse, portanto, permanece: enquanto os Estados Unidos ampliam a pressão econômica e militar, o Irã tenta preservar sua influência sobre uma das principais passagens estratégicas para o mercado global de energia.




