Flávio Bolsonaro treinou estratégia para aparecer atrás de Lula e gerar vídeos virais no debate da Band
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, treinou com o marqueteiro Duda Lima e outros integrantes de sua equipe uma estratégia para aparecer atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate da Band, realizado neste domingo (18). A intenção era produzir imagens de confronto que pudessem ser transformadas em vídeos curtos e compartilhadas nas redes sociais.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a equipe de Flávio começou a distribuir gravações desses momentos ainda durante o programa, por meio de mensagens e plataformas digitais. A estratégia fazia parte da preparação do senador para o primeiro debate presidencial do segundo turno.
Ao longo da semana anterior, Flávio treinou perguntas e respostas com seus auxiliares, em simulações que reproduziam as regras e o tempo disponível para cada intervenção. No dia do debate, a preparação contou também com a participação do influenciador Pablo Marçal e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que acompanharam o candidato nos estúdios.
Gestos e reações foram planejados
Durante o confronto, Flávio circulou atrás de Lula enquanto o presidente respondia a perguntas e se dirigia aos telespectadores. O senador fez gestos negativos com a cabeça, manteve expressões de reprovação e reagiu com o rosto às declarações do adversário.
A movimentação, segundo a reportagem, foi planejada para gerar imagens que pudessem ser recortadas e divulgadas nas redes sociais. Um dos objetivos era direcionar a atenção do público também para as reações do candidato do PL, mesmo quando Lula estivesse com a palavra.
A estratégia foi diferente da planejada para o debate do primeiro turno, quando Lula não compareceu. Na ocasião, aliados de Flávio pretendiam explorar a ausência do petista com perguntas direcionadas ao púlpito vazio.
Discussão sobre o SUS marcou confronto
Um dos momentos em que a estratégia ficou evidente ocorreu durante a discussão sobre saúde pública. Flávio afirmou ter convidado Claudio Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo e defendeu que o Sistema Único de Saúde (SUS) tivesse um padrão de atendimento semelhante ao do Hospital Albert Einstein.
Lula reagiu sugerindo que a proposta do adversário poderia significar a privatização do SUS. Mesmo após concluir sua fala, Flávio permaneceu atrás do presidente enquanto ele respondia, fazendo gestos com as mãos e movimentando o dedo indicador em sinal de discordância.
Outro trecho que ganhou atenção da equipe do senador foi uma declaração de Lula sobre os cariocas, aos quais se referiu como “malandros”. Os vídeos com o trecho começaram a circular pouco depois da fala, e aliados de Flávio apostavam na repercussão do episódio para conquistar votos no Rio de Janeiro.
Banco Master e INSS também entraram no debate
Além das estratégias de comunicação, o confronto foi marcado por acusações relacionadas ao Banco Master, às suspeitas de irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e aos programas sociais.
Lula questionou Flávio sobre a busca de recursos junto a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio, por sua vez, explorou acusações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente, e à empresária Roberta Luchsinger, citada em investigações.
O debate também teve ataques pessoais, acusações de corrupção e referências a lideranças internacionais, como o presidente argentino Javier Milei e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O confronto entre Lula e Flávio ocorreu na reta final da campanha do segundo turno e teve as redes sociais como um dos principais campos de disputa. A preparação para gerar vídeos curtos e ampliar o alcance das imagens evidenciou a importância da comunicação digital nas estratégias eleitorais dos dois candidatos.




