Defesa agropecuária é estratégica para a economia e a segurança alimentar do Brasil, alerta sindicato
O Brasil caminha para alcançar uma capacidade de produção de alimentos suficiente para abastecer cerca de 1 bilhão de pessoas. Para garantir esse avanço, o país precisa fortalecer a defesa agropecuária, responsável por proteger a produção nacional, prevenir doenças e pragas e assegurar a qualidade dos produtos destinados ao mercado interno e às exportações. O alerta faz parte de uma carta aberta do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) aos candidatos à Presidência da República.
Produção cresce e exige fiscalização reforçada
O agronegócio é um dos principais pilares da economia brasileira, contribuindo para a geração de empregos, a atração de investimentos, o desenvolvimento regional e o fortalecimento da balança comercial. Nesse cenário, a defesa agropecuária tem papel fundamental para manter a competitividade do setor e a confiança dos consumidores e compradores internacionais.
Entre as atribuições da área estão a prevenção e o controle de pragas e doenças, a fiscalização de produtos e insumos, a inspeção sanitária e a certificação dos requisitos exigidos pelos mercados internacionais.
A dimensão desse trabalho acompanha o crescimento da produção nacional. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que o Brasil encerre 2026 com uma produção de 353 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de 362 milhões de toneladas de grãos em 2025/2026, com crescimento de 2,6% em relação ao ciclo anterior.
Sindicato alerta para déficit de profissionais
Apesar da expansão do setor, a estrutura de fiscalização enfrenta desafios. Segundo os dados apresentados pela categoria, há 2.461 auditores fiscais federais agropecuários em atividade, diante de um déficit estimado em 1.233 profissionais.
O Anffa Sindical defende a recomposição do quadro de servidores, a valorização da carreira, investimentos em tecnologia e maior previsibilidade orçamentária. Para a entidade, essas medidas devem ser tratadas como investimentos estratégicos na proteção da economia nacional, e não apenas como despesas administrativas.
O sindicato também alerta que prevenir crises sanitárias, evitar perdas na produção e preservar mercados internacionais pode custar menos do que enfrentar as consequências de falhas na fiscalização.
A entidade ressalta ainda que os mecanismos de autocontrole adotados pelas empresas não substituem a atuação independente do poder público, considerada essencial para garantir a segurança dos alimentos e a credibilidade dos produtos brasileiros.
Proteção das fronteiras e dos mercados internacionais
A vigilância agropecuária em portos, aeroportos e fronteiras também é apontada como uma frente estratégica. Os auditores atuam para impedir a entrada de pragas e agentes que possam ameaçar a produção nacional, além de contribuir para a segurança sanitária e a proteção dos mercados conquistados pelo país.
De acordo com a carta, o Brasil mantém acesso a mais de 700 mercados em mais de 200 países. Para o sindicato, preservar e ampliar essa presença internacional depende de uma estrutura de defesa agropecuária capaz de acompanhar as exigências crescentes de sanidade, rastreabilidade e segurança dos alimentos.
Defesa agropecuária como política de Estado
Na carta aberta, o Anffa Sindical pede que os candidatos à Presidência assumam o compromisso de tratar a defesa agropecuária como prioridade estratégica, com planejamento de longo prazo e medidas para modernizar e fortalecer a fiscalização federal.
A entidade argumenta que proteger a produção brasileira significa também defender empregos, renda, segurança alimentar e soberania econômica. Para o sindicato, o crescimento do agronegócio precisa ser acompanhado de investimentos proporcionais na estrutura responsável por garantir a qualidade e a segurança do que o país produz.
O Anffa Sindical representa os auditores fiscais federais agropecuários, carreira vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com atuação em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a fiscalização em propriedades rurais e indústrias até a vigilância sanitária no comércio internacional.
A entidade defende que o fortalecimento dessa estrutura seja um compromisso que ultrapasse governos e integre o planejamento estratégico do país para os próximos anos.




