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Debate da Globo: quem saiu fortalecido e quem perdeu no último confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro?

Especialistas divergem sobre o desempenho de Lula e Flávio Bolsonaro no último debate antes do segundo turno, destacando estratégias, troca de acusações e a disputa pelo voto dos indecisos.

Debate da Globo divide especialistas e deixa disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro em aberto

O último debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado pela TV Globo na sexta-feira (23), terminou sem consenso sobre quem teve o melhor desempenho. Especialistas em ciência política ouvidos pela BBC News Brasil apresentaram avaliações diferentes sobre o confronto, realizado dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

Enquanto parte dos analistas identificou uma pequena vantagem de Flávio Bolsonaro, outros avaliaram que Lula conseguiu se sair melhor em determinados momentos, especialmente nos primeiros blocos. Também houve quem considerasse que nenhum dos candidatos conseguiu construir uma superioridade clara capaz de mudar os rumos da disputa.

O presidente chegou ao debate com o desafio de reverter o resultado do primeiro turno, quando terminou atrás do adversário. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Já o senador buscava preservar a vantagem e evitar uma recuperação do petista na reta final da campanha.

Especialistas divergem sobre o vencedor

O professor de Ciência Política da Fundação Getulio Vargas (FGV), Eduardo José Grin, avaliou que Lula teve uma pequena vantagem no conjunto do debate e conseguiu dialogar com parte dos eleitores indecisos. Segundo ele, o presidente teve bons momentos nos três primeiros blocos, quando os candidatos responderam a perguntas sobre temas previamente definidos.

Grin destacou que a experiência administrativa de Lula e a possibilidade de apresentar ações de seus governos favoreceram o petista nessa etapa. No entanto, avaliou que o presidente perdeu parte dessa vantagem no bloco final, quando os candidatos tiveram mais liberdade para formular perguntas um ao outro.

A professora de Ciência Política da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Denilde Holzhacker, teve uma avaliação diferente. Para ela, Flávio Bolsonaro apresentou uma pequena vantagem, principalmente pela capacidade de controlar o tempo, defender propostas e direcionar o discurso para o eleitorado.

O cientista político Murilo Aragão, da consultoria Arko Advice, também considerou que o senador teve desempenho superior. Na avaliação dele, Flávio conseguiu explorar o desgaste do governo Lula, apresentar propostas para o futuro e utilizar frases de efeito durante o confronto.

Já Rafael Cortez, cientista político da Tendências Consultoria, avaliou que o debate não teve um momento decisivo capaz de desequilibrar a disputa. Para ele, o resultado dependerá de como as campanhas vão explorar os pontos positivos e negativos apresentados pelos candidatos nos últimos dias antes da votação.

Segurança e economia estiveram entre os pontos fortes de Flávio

Na avaliação dos especialistas, Flávio Bolsonaro conseguiu direcionar parte de suas falas para temas como segurança pública, economia, custo de vida, endividamento das famílias, poder de compra e empreendedorismo.

A estratégia buscou apresentar o senador como uma alternativa ao atual governo, com uma agenda própria, e não apenas como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os analistas também observaram que Flávio adotou uma postura mais amena em comparação com o debate realizado pela Rede Bandeirantes, no domingo (18). O senador procurou demonstrar preparo e capacidade de liderança, além de evitar algumas das comparações propostas por Lula entre os dois governos.

Lula, por sua vez, tentou destacar as diferenças de trajetória entre os candidatos e questionar a capacidade do adversário de governar o país. O presidente também procurou associar a candidatura de Flávio ao legado do governo de Jair Bolsonaro e defender as políticas sociais de sua gestão.

Troca de acusações marcou o bloco final

O quarto bloco concentrou parte dos momentos mais tensos do debate. Lula questionou Flávio sobre suspeitas envolvendo uma disputa por uma ilha no Rio de Janeiro, relacionada ao jogador Richarlison e ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Flávio e Tomaz são investigados pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro, mas ambos negam irregularidades.

Flávio, por sua vez, questionou Lula sobre uma suposta ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no contexto de investigações. O senador mencionou mensagens extraídas do celular do banqueiro pela Polícia Federal que, segundo ele, indicariam a compra de um uísque de R$ 500 mil para presentear o presidente.

Para Eduardo José Grin, a estratégia de Lula nesse trecho não foi tão eficiente quanto nos blocos anteriores, nos quais o petista havia conseguido explorar sua experiência política e administrativa.

Outro momento destacado por Grin ocorreu quando Lula criticou um comentário de Flávio sobre o fato de o presidente ter apenas nove dedos nas mãos. Lula perdeu o dedo mindinho da mão esquerda em um acidente de trabalho aos 17 anos.

O professor também considerou prejudicial para o senador a discussão sobre a defesa jurídica de um policial militar processado por supostamente ter matado uma menina de cinco anos durante uma ação policial no Rio de Janeiro. O militar alega ser inocente.

Eleitores indecisos podem ser decisivos

Apesar das avaliações distintas, os especialistas concordam que o efeito do debate dependerá da repercussão entre os eleitores e da capacidade das campanhas de aproveitar os últimos momentos antes da votação.

Segundo Grin, Lula pode ter transmitido uma imagem de maior experiência e conhecimento sobre políticas públicas, aspecto que poderia pesar entre os indecisos. Por outro lado, o presidente demonstrou dificuldades para acompanhar a dinâmica do programa, recorreu às anotações em diferentes momentos e nem sempre conseguiu concluir suas respostas.

Holzhacker avaliou que Lula pode ter se conectado com eleitores preocupados com a preservação de direitos sociais. Flávio, por sua vez, procurou dialogar com pessoas insatisfeitas com a economia e reforçar a ideia de renovação política.

Com a eleição marcada para domingo (25), o último confronto na TV Globo terminou sem um vencedor reconhecido por todos os analistas. A disputa pelo voto dos indecisos e a maneira como cada campanha explorará o desempenho dos candidatos devem influenciar a reta final da eleição.

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