Ampliação da Copa para 64 seleções pode gerar desafios logísticos e altos custos
A possibilidade de uma Copa do Mundo com 64 seleções voltou a ganhar força após declarações do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que admitiu que a entidade poderá discutir uma nova expansão do torneio nos próximos anos. A proposta, no entanto, já enfrenta resistência de dirigentes do futebol internacional e levanta preocupações sobre impactos financeiros, logísticos e esportivos.
A edição de 2026 marcou a estreia do formato com 48 seleções, ampliando significativamente o número de participantes em relação às 32 equipes que disputaram os Mundiais entre 1998 e 2022. Mesmo com a mudança ainda recente, a possibilidade de um torneio ainda maior já está sendo debatida nos bastidores da Fifa.
Especialistas apontam que uma Copa com 64 seleções exigiria mais estádios, hotéis, centros de treinamento, sistemas de transporte e equipes de apoio. Mantido o modelo atual de competição, o número de partidas passaria de 104 para 128 jogos, o que poderia aumentar a duração do torneio em cerca de uma semana ou exigir um calendário ainda mais apertado.
Outro ponto de preocupação envolve os custos para federações, organizadores e torcedores. Além dos investimentos em infraestrutura, a ampliação aumentaria os gastos com logística, hospedagem e deslocamentos. O impacto financeiro também poderia atingir as eliminatórias continentais, que perderiam parte de sua relevância comercial com mais vagas disponíveis para o Mundial.
A proposta já recebeu críticas de dirigentes importantes do futebol mundial. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, afirmou anteriormente que não apoia a ideia, enquanto o presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, também demonstrou preocupação com o crescimento contínuo do torneio.
Além das questões financeiras e organizacionais, especialistas alertam para o aumento da carga de jogos sobre os atletas. Um calendário mais extenso poderia ampliar o desgaste físico dos jogadores e gerar conflitos com competições nacionais e continentais já existentes.
Por outro lado, defensores da ampliação argumentam que uma Copa com mais seleções abriria espaço para países que tradicionalmente têm poucas oportunidades de disputar o principal torneio do futebol mundial, tornando a competição mais representativa em escala global.
Por enquanto, a proposta segue apenas em fase de discussão. A Fifa deverá avaliar os resultados e o impacto da primeira Copa com 48 seleções antes de decidir se dará andamento ao projeto de um Mundial ainda maior no futuro




