Militar afirma não saber se foi mordido antes de atirar em Brutus; caso é investigado e mobiliza protetores
O caso envolvendo a morte do cachorro comunitário Brutus, em Goiânia, ganhou novos desdobramentos e aumentou a repercussão após mudança no depoimento do bombeiro militar responsável pelo disparo. Segundo informações confirmadas pela defesa, o agente agora afirma não saber se foi mordido ou arranhado pelo animal antes de atirar.
A declaração foi prestada ao Grupo de Proteção Animal da Polícia Civil e contraria a versão inicial registrada em boletim de ocorrência, na qual o militar afirmava ter sido mordido. A inconsistência levanta questionamentos sobre as circunstâncias que levaram ao disparo e reforça a pressão por esclarecimentos no caso.
De acordo com o advogado Eduardo Moura, não há divergência quanto à existência de lesões na perna do militar, mas não é possível afirmar se foram causadas por mordida ou arranhão, nem por qual dos animais. A defesa sustenta que o bombeiro estava sob tensão no momento do ocorrido.
O episódio teria acontecido nas proximidades do Estádio Serra Dourada, onde o militar realizava atividades físicas. Em depoimento, ele relatou que foi cercado por um grupo de cães que saíram de uma área abandonada. No entanto, o número de animais também varia entre as versões apresentadas, aumentando ainda mais as dúvidas sobre o ocorrido.
Segundo o relato mais recente, ao perceber a aproximação dos cães, o bombeiro tentou se afastar e chegou a usar o celular para conter um dos animais. Em seguida, ao ver Brutus se aproximar, sacou a arma e efetuou o disparo. A defesa afirma que a intenção não era atingir o cachorro, mas apenas afastar os animais.
Brutus, conhecido na região como um cachorro comunitário dócil e cuidado por moradores, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. A morte do animal gerou forte comoção e indignação, principalmente entre protetores e ativistas da causa animal.
O militar foi afastado das funções e teve o porte de arma suspenso. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura possíveis inconsistências nos depoimentos e a legalidade da ação.
A repercussão do caso mobilizou a sociedade civil e resultou na organização de manifestações que pedem justiça pelo animal. O episódio reacende o debate sobre o uso da força, responsabilidade de agentes públicos e a proteção de animais em áreas urbanas.


