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Goiana transforma história da filha em joias, conquista famosos e leva sua criação a Paris

Goiana transforma luta da filha em joias, conquista celebridades e leva sua arte para Paris

Goiana transforma história da filha em joias, conquista celebridades e leva sua arte a Paris

Designer Karine Resende Brasil transforma experiência familiar em inspiração artística, cria peças de cerâmica com corações e amplia presença no mercado internacional.

A história da designer goiana Karine Resende Brasil, de 47 anos, mostra como experiências pessoais podem se transformar em arte e conquistar espaço além das fronteiras brasileiras. Natural de Goiânia, a artista encontrou na cardiopatia congênita da filha caçula, Isis, uma inspiração para criar joias de cerâmica com corações, peças que se tornaram uma das marcas de seu trabalho autoral. Em 2026, suas criações chegaram a Paris, na França, depois de participações em eventos internacionais na Itália e na Austrália.

Os corações começaram a aparecer nas peças em 2021, quando Isis tinha sete anos. Segundo Karine, as formas surgem espontaneamente durante o processo criativo no ateliê e passaram a representar uma dimensão afetiva e espiritual de sua trajetória.

“Até hoje, os corações continuam surgindo nas minhas mãos de forma involuntária, durante a rotina de criação no ateliê. Ao longo dos anos, fui compreendendo que esse movimento também tem uma dimensão espiritual, como se os corações encontrassem em minhas mãos um caminho natural para se manifestar por meio da cerâmica”, contou a artista em entrevista ao Mais Goiás.

Art Déco e memórias de Goiânia inspiram criações

Além das experiências familiares, a identidade cultural de Goiânia também ocupa lugar importante no trabalho da designer. Durante a formação acadêmica, Karine estudou patrimônio histórico, conhecimento que contribuiu para aproximá-la do Art Déco, estilo arquitetônico presente em diferentes construções da capital goiana.

A relação com a cidade também passa por lembranças da infância e da família. A Avenida Goiás, por exemplo, tem um significado especial para a artista, já que sua avó paterna trabalhava na Feira Hippie e mantinha uma banca próxima ao relógio da avenida.

Essas referências deram origem a coleções de minivasos e à primeira linha de joias da designer, que busca unir memória afetiva, identidade cultural e expressão artística.

“Sempre morei em Goiânia, e as referências do Art Déco sempre estiveram presentes no meu cotidiano. Além disso, tenho uma memória afetiva muito forte com a Avenida Goiás”, relatou.

Da universidade ao ateliê de cerâmica

Antes de se dedicar integralmente à arte, Karine trabalhou durante cinco anos como professora universitária nas áreas de Turismo e Hotelaria. A maternidade, no entanto, provocou uma mudança de perspectiva e a levou a repensar a carreira profissional.

O contato mais marcante com a cerâmica aconteceu em 2015, durante uma viagem a Monte Verde, em Minas Gerais. Na ocasião, ela visitou a galeria da ceramista Paula Unger (1954-2022) e ficou impressionada com as esculturas, o design das peças e a integração das obras com a natureza.

A experiência despertou o desejo de seguir o caminho artístico. Ao retornar a Goiânia, Karine procurou um ateliê para aprender a trabalhar com cerâmica e começou a experimentar diferentes técnicas, produzindo esculturas, luminárias e objetos decorativos.

Durante aproximadamente dois anos, ela alternou a produção artística com períodos de retorno à carreira acadêmica, principalmente por questões financeiras. Em 2019, criou sua marca autoral e, em 2021, deixou definitivamente a universidade para se dedicar à arte.

Joias conquistam celebridades

A partir de 2022, Karine passou a investir na aproximação de suas criações com personalidades públicas. Desde então, mais de 40 celebridades receberam peças da designer, e mais de 20 chegaram a usar seus acessórios.

Um dos momentos marcantes ocorreu durante a Amarê Fashion, em 2024, quando a apresentadora Ana Hickmann usou um colar desenvolvido pela artista. A peça fazia parte de um projeto realizado em parceria com o professor Celso Camilo, do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG), que explorou a combinação entre cerâmica e inteligência artificial.

Karine contou que teve a oportunidade de apresentar pessoalmente o acessório à apresentadora. Segundo ela, Ana recebeu a criação de maneira espontânea e permaneceu com o colar durante o evento, inclusive em entrevistas, nas quais também comentou a iniciativa.

O projeto ampliou a visibilidade do trabalho da goiana e a levou ao programa Globo Repórter, em novembro de 2024, em uma edição dedicada à inteligência artificial. Desde aquele ano, conforme a artista, ela também comercializa peças para a Rede Globo.

Goiana representa o Brasil em Paris

A presença internacional da marca ganhou força em 2026, com a participação de Karine na Brasil Week AU, na Austrália, e na Jornada Exportadora Paris 2026, na França.

Em Paris, a designer foi a única representante de Goiás entre os 20 selecionados de todo o país para a iniciativa promovida pelo programa Brasil Feito à Mão, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Para a ocasião, Karine apresentou a coleção inédita Luz, criada especialmente para o evento e composta por peças que exploram as cores da bandeira francesa. A participação representou mais um passo na busca por espaço no mercado internacional e na divulgação da produção artística brasileira.

Mesmo com a ampliação do alcance de suas criações, a designer pretende manter as referências pessoais e culturais que marcam sua trajetória. Seus planos incluem aprofundar as pesquisas e desenvolver novas joias e objetos inspirados nas próprias raízes, nos afetos e nas experiências que influenciam seu processo criativo.

Para Karine, levar a arte produzida em Goiânia a outros países significa demonstrar que a cultura brasileira pode dialogar com diferentes públicos sem perder sua identidade.

“Mais do que o reconhecimento da marca, fico feliz em perceber que a arte que nasce no meu ateliê, em Goiânia, pode dialogar com outras culturas sem perder sua identidade e entender o quão única e potente é a nossa cultura”, afirmou.

A trajetória da artista reforça a maneira como histórias pessoais, memória afetiva e referências culturais podem se transformar em uma identidade artística própria, capaz de conquistar novos públicos no Brasil e no exterior.

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