Fórmula 1 prepara retorno dos motores V8, mas nova geração não terá o som dos antigos aspirados
A Fórmula 1 caminha para o retorno dos motores V8, mas os fãs que esperam ouvir novamente o ronco característico dos propulsores aspirados dos anos 2000 terão uma diferença importante: a nova geração deverá utilizar um V8 turbo de 3,0 litros, mantendo o turbocompressor.
Um motor V8 aspirado produz um som grave e contínuo, que fica mais agudo conforme o propulsor aumenta de giro. Já uma configuração turbo tende a apresentar um ruído mais abafado, acompanhado pelo assobio da turbina e pelo sopro da válvula de alívio.
Com isso, o retorno da arquitetura V8 não significa necessariamente a volta do mesmo som dos motores que marcaram a categoria no início dos anos 2000. Ainda assim, a expectativa é de que os novos propulsores sejam mais barulhentos do que os atuais.
A definição faz parte das discussões entre a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), a Fórmula 1 e as fabricantes de unidades de potência para os próximos regulamentos. Alguns detalhes ainda estão em negociação, mas os principais conceitos do projeto já estão sendo discutidos.
Por que o motor não será aspirado?
A possibilidade de utilizar novamente um V8 aspirado chegou a ser analisada pelas fabricantes, principalmente pelo apelo que a configuração teria entre os fãs que lembram do som dos motores que dominaram a F1 no começo dos anos 2000.
Um dos obstáculos, porém, é o nível de ruído. A Fórmula 1 tem utilizado cada vez mais circuitos urbanos, onde existem regras específicas para controle de poluição sonora.
Pistas como Baku, Melbourne, Madri, Miami, Las Vegas e Singapura poderiam enfrentar dificuldades com um motor aspirado consideravelmente mais barulhento do que os atuais.
Nesse cenário, o turbocompressor aparece como uma alternativa intermediária. A expectativa é aumentar o volume do som dos carros sem ultrapassar limites considerados problemáticos para corridas realizadas em áreas urbanas.
Eletrificação será mantida
Apesar do retorno do V8, a próxima geração de motores não deverá abandonar a eletrificação. O projeto prevê um motor elétrico de 100 kW, potência inferior aos 350 kW empregados na atual geração de unidades de potência.
A proposta é reduzir a participação do sistema elétrico, mas mantê-lo nos carros. A FIA e a Fórmula 1 buscam preservar a ligação tecnológica com a indústria automotiva, enquanto reduzem a complexidade dos motores utilizados entre 2014 e 2025.
Com a mudança, o motor a combustão deverá voltar a assumir um papel mais importante no desempenho dos monopostos.
Motores também deverão ficar mais leves
Outro ponto em discussão é a redução do peso da unidade de potência. A intenção é desenvolver um conjunto completo pelo menos 50 quilos mais leve do que o atual.
Caso a meta seja alcançada, a redução poderá influenciar também o desenvolvimento dos carros. Um conjunto motriz mais leve permite mudanças no projeto do chassi e na distribuição de peso do monoposto.
Como será o sistema de ultrapassagens?
A forma como os pilotos terão acesso a potência extra para realizar ultrapassagens ainda não foi definida.
Uma das possibilidades é a adoção de um sistema semelhante ao push-to-pass utilizado na IndyCar. Nesse modelo, o piloto teria acesso temporário a potência adicional e poderia escolher quando acioná-la dentro de determinadas condições e com um número limitado de utilizações durante a corrida.
O retorno do DRS, utilizado pela Fórmula 1 até o fim da temporada de 2025, também está entre as alternativas discutidas, mas ainda não há uma definição sobre qual solução será adotada.
Quando os novos motores chegam?
A nova geração de unidades de potência ainda não tem uma temporada de estreia oficialmente definida.
A possibilidade atualmente considerada é que os novos regulamentos entrem em vigor em 2030, antecipando em um ano o encerramento do ciclo técnico atual.
Até lá, FIA, Fórmula 1 e fabricantes ainda precisarão definir os detalhes do projeto e estabelecer as regras que vão determinar o funcionamento dos novos motores.




