Médica goiana fecha consultório e parte sozinha para missão em Moçambique
Aos 27 anos, Sthéfany Bueno Christovam vai interromper os atendimentos em Brasília por 30 dias para atuar voluntariamente na área da saúde em Dondo, na província de Sofala
Aos 27 anos, a médica goiana Sthéfany Bueno Christovam decidiu interromper temporariamente a rotina de atendimentos em Brasília para viver uma experiência que, segundo ela, representa um antigo propósito pessoal. No dia 15 de setembro, a médica embarca sozinha para Moçambique, onde passará 30 dias trabalhando voluntariamente na região de Mafarinha, em Dondo, na província de Sofala.
Generalista e pós-graduanda em psiquiatria infantil e do adolescente, Sthéfany atua na Clínica Olimpo, mas vai fechar a agenda de pacientes durante o período da missão. Ela será a única integrante brasileira da equipe e trabalhará ao lado de médicos e outros profissionais de saúde moçambicanos.
Decisão foi planejada durante anos
Segundo a médica, o desejo de participar de uma missão humanitária na África surgiu há vários anos. A oportunidade, porém, só conseguiu ser concretizada após a conclusão da graduação em Medicina e a organização da vida profissional.
“Desde muitos anos atrás tenho esse chamado para ir à África, mas este ano, com minha formatura, as coisas ficaram mais estruturadas”, afirmou.
A oportunidade em Dondo surgiu por meio da Igreja Batista, que mantém uma estrutura na região para receber missionários. Durante os 30 dias no país, Sthéfany pretende atuar diretamente nos atendimentos de saúde da população local.
Médica ficará um mês sem trabalhar no Brasil
Para participar da missão, Sthéfany precisou fazer mudanças na rotina profissional e financeira. Durante o período em Moçambique, ela não terá atividades remuneradas no Brasil e ficará com a agenda do consultório fechada.
Os custos da viagem serão bancados pela própria médica e pela família. Já as despesas locais ficarão sob responsabilidade da igreja que apoia a missão.
Medicamentos, exames e outros materiais necessários para os atendimentos dependem de doações. Entre os itens previstos estão analgésicos, antitérmicos, anti-hipertensivos, antibióticos, vermífugos e testes para malária e infecções sexualmente transmissíveis.
A médica afirma que não foi estabelecida uma meta específica de arrecadação e que pretende divulgar a prestação de contas da missão nas redes sociais.
Realidade de saúde será diferente da encontrada no Brasil
Um dos principais desafios apontados por Sthéfany antes do embarque é justamente conhecer a realidade que encontrará em Moçambique.
Entre as doenças e condições de saúde que ela espera encontrar com maior frequência estão malária, hepatites, infecções respiratórias, doenças gastrointestinais, HIV, desnutrição e parasitoses.
A preparação para a viagem incluiu consulta com infectologista, atualização de vacinas, orientações sanitárias e medidas de prevenção contra a malária.
Os medicamentos que serão utilizados nos atendimentos deverão ser adquiridos em Moçambique, de acordo com as necessidades identificadas pela equipe que atua na região.
Experiência também será de aprendizado
Apesar de chegar sozinha como representante brasileira da missão, Sthéfany não estará isolada durante o trabalho. Ela atuará ao lado de profissionais de saúde moçambicanos e espera aprender com uma realidade diferente daquela vivenciada em sua rotina profissional no Brasil.
Para a médica, a experiência também representa uma oportunidade de ampliar sua visão sobre o cuidado com os pacientes.
“Quero aprender cada vez mais sobre uma medicina humanizada em que curar não é só através de medicações, e sim pelo cuidado e pelo carinho”, afirmou.
Sthéfany também já planeja retornar ao país em outras oportunidades depois da primeira experiência.
“Propósito” resume decisão
Entre fechar a agenda de pacientes, ficar um mês sem remuneração e viajar sozinha para um país cuja realidade ainda não conhece, a médica resume em uma palavra o motivo que a levou a tomar a decisão: “Propósito.”
A viagem representa a concretização de um desejo que, segundo ela, começou antes mesmo do início da carreira médica. Agora, Sthéfany pretende transformar os conhecimentos adquiridos ao longo da formação em atendimento voluntário para pessoas que vivem em uma realidade diferente da encontrada no Brasil.
O período inicialmente previsto em Moçambique é de 30 dias, mas, para a médica goiana, a expectativa é de que a experiência seja apenas o primeiro passo de uma trajetória de voluntariado no país.




