Flávio Bolsonaro reúne apoiadores na Paulista em ato do 7 de Setembro
Candidato à Presidência participou de manifestação marcada por críticas a Lula e Alexandre de Moraes; aliados e lideranças da direita também discursaram
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores e aliados na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira (7), durante um ato político organizado em meio às manifestações do 7 de Setembro.
A mobilização teve como principais bandeiras as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com o mote “Fora Lula, fora Moraes”.
Flávio chega ao ato acompanhado de aliados
Flávio chegou à Avenida Paulista por volta das 15h. Entre as lideranças presentes estavam os deputados Marco Feliciano e Sóstenes Cavalcante, o ex-deputado Deltan Dallagnol, o senador Sergio Moro e o pastor Silas Malafaia.
Manifestantes levaram bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel, além de cartazes com imagens de pessoas condenadas pelos atos de 8 de Janeiro, classificadas pelos participantes como “presos políticos”.
O evento também foi utilizado por candidatos a deputado para divulgação de campanhas. Integrantes de partidos como PL, Republicanos e PP distribuíram materiais eleitorais e bandeiras entre os participantes.
Manifestação teve confronto antes do início
Antes do início do comício, houve um confronto entre um grupo de manifestantes de esquerda e outro que se dirigia ao ato da direita, na região das alamedas Peixoto Gomide e Santos.
Segundo a Polícia Militar, equipes da corporação e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) foram acionadas e intervieram para separar os grupos. Imagens divulgadas nas redes sociais registraram o uso de bombas de gás lacrimogêneo durante a ocorrência.
Aliados fazem críticas a Moraes e Lula
O candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar (PL), discursou durante o ato e fez críticas a Alexandre de Moraes. Ele afirmou que “não existe Lula sem Alexandre” e puxou os gritos de “fora Lula” e “fora Moraes”.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que tem apoiado a candidatura de Flávio na capital, também participou. Durante o discurso, afirmou que “Supremo é o povo brasileiro” e pediu apoio aos candidatos da direita ao Senado.
Já Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro, criticou os gastos do governo Lula. Em sua fala, afirmou que o presidente teria prometido “picanha” e entregado “pizza parcelada”, além de defender o fim do que chamou de “gastança”.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também discursou. Ele afirmou que Jair Bolsonaro poderia permanecer preso por mais tempo caso Flávio não fosse eleito e, em seguida, puxou um coro de “volta, Bolsonaro”.
Manifestantes demonstram apoio a André Mendonça
A crise envolvendo integrantes do STF também esteve entre os assuntos centrais do ato. Antes da manifestação, apoiadores de Bolsonaro demonstraram apoio ao ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master.
Mendonça determinou, na terça-feira (1º), a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou diálogos entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Após a divulgação do documento, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por possíveis crimes e irregularidades, incluindo abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Mendonça publicou um vídeo em que agradeceu as orações recebidas de apoiadores. Durante o ato na Paulista, manifestantes levaram cartazes em defesa do ministro, e o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) pediu aplausos ao magistrado.
Caso envolvendo Daniel Vorcaro também é citado
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro também voltou a ser mencionada no contexto político. O senador teve contato com o ex-banqueiro e chegou a cobrar o pagamento de parcelas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”.
Reportagens apontaram que Vorcaro teria destinado cerca de R$ 64 milhões para a produção. Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que se trata de uma transação privada.
A Polícia Federal investiga se recursos relacionados ao negócio teriam sido utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Flávio nega irregularidades.
Campanha busca ganhar força para a eleição
O ato na Paulista é o segundo grande evento público da campanha de Flávio Bolsonaro. O primeiro ocorreu em 16 de agosto, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e reuniu cerca de 9 mil pessoas, segundo estimativas do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da organização More in Common.
Ao retornar à Avenida Paulista, tradicional local de manifestações da direita bolsonarista, a campanha busca ampliar a mobilização e fortalecer a candidatura na disputa presidencial.
De acordo com o Datafolha divulgado na quinta-feira (3), Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. O levantamento também apontou crescimento de Augusto Cury (Avante), que chegou a 8%.
Com os números, a diferença entre Lula e Flávio caiu para cinco pontos percentuais, reduzindo a distância registrada em levantamentos anteriores.




