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Márcio Corrêa fecha com Gayer e Vitor Hugo, mas deixa Wilder de fora: afinal, quem é o verdadeiro bolsonarista?

Márcio Corrêa mantém apoio a Gayer e Vitor Hugo e desafia Wilder no campo bolsonarista

Disputa interna no PL expõe diferenças entre Wilder Morais e os principais nomes bolsonaristas de Goiás

Apoio de Márcio Corrêa a Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo fortalece candidaturas e evidencia divergências dentro do partido para as eleições de 2026

A disputa eleitoral de 2026 começa a expor diferenças internas dentro do Partido Liberal (PL) em Goiás. De um lado está o senador Wilder Morais, que trabalha para consolidar seu projeto de candidatura ao governo estadual. Do outro, nomes identificados diretamente com o bolsonarismo, como Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo, contam com o apoio político do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa.

A questão que ganha espaço nos bastidores é sobre qual deve ser a prioridade de um dirigente partidário: o projeto individual ou o fortalecimento da legenda.

Wilder Morais, presidente estadual do PL, optou por manter sua candidatura ao governo de Goiás. Uma eventual composição com o grupo de Daniel Vilela (MDB) e Ronaldo Caiado poderia, na avaliação de aliados, ampliar o espaço do PL na chapa majoritária e também favorecer a eleição de deputados federais e estaduais.

O cenário, porém, não se concretizou.

PL enfrenta dificuldades para ampliar bancada

A situação eleitoral do PL em Goiás também preocupa integrantes da legenda. Na pesquisa mais recente do instituto Quaest mencionada no cenário político, Wilder aparece em terceiro lugar na disputa pelo governo estadual, com 12% das intenções de voto.

Com um candidato ao governo com desempenho inferior ao de outros concorrentes, o partido pode encontrar dificuldades para ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados. Entre os nomes considerados competitivos estão Major Vitor Hugo, Magda Mofatto e Fred Rodrigues.

Caso o PL eleja apenas dois deputados federais, a disputa interna pela segunda vaga poderá ser apertada, especialmente após Gustavo Gayer deixar de apoiar Fred Rodrigues.

Ao mesmo tempo, Gayer aparece entre os principais nomes na corrida por uma das vagas ao Senado por Goiás.

Márcio Corrêa fortalece Gayer e Major Vitor Hugo

Nesse cenário, a atuação de Márcio Corrêa ganhou relevância. O prefeito de Anápolis tem declarado apoio a Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo, dois dos nomes mais associados ao bolsonarismo em Goiás.

A parceria é especialmente importante para Gayer, que busca ampliar sua presença além das redes sociais. Para conquistar uma vaga no Senado, o deputado precisa construir uma estrutura política capaz de alcançar prefeitos, vereadores, lideranças regionais e eleitores do interior.

Márcio Corrêa tem acompanhado Gayer em agendas por diferentes municípios e participado da construção de alianças políticas. Anápolis, terceira maior cidade de Goiás em número de eleitores, tornou-se uma das principais bases desse projeto.

Major Vitor Hugo também conta com o apoio do prefeito anapolino. A proximidade entre os dois reforça a presença do ex-deputado federal na cidade e pode contribuir para ampliar sua votação.

Quem representa o bolsonarismo em Goiás?

A movimentação de Márcio Corrêa alimenta uma discussão dentro do próprio PL: a de quem representa, de fato, o bolsonarismo no Estado.

Gayer e Major Vitor Hugo possuem uma relação política consolidada com o ex-presidente Jair Bolsonaro e são vistos como integrantes da ala mais identificada com o movimento bolsonarista.

Márcio Corrêa, por sua vez, também se posiciona nesse campo e mantém alianças com nomes como Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, além de Gayer e Vitor Hugo.

Essa aproximação cria uma situação curiosa: os dois principais nomes bolsonaristas de Goiás na disputa pelo Senado recebem forte apoio de um prefeito do próprio PL, mas não têm no presidente estadual da legenda, Wilder Morais, seu principal padrinho político.

Wilder Morais adota perfil mais moderado

A trajetória de Wilder Morais também ajuda a explicar as diferenças. Empresário do setor de construção civil e de shopping centers, o senador construiu uma carreira política com trânsito em diferentes grupos.

Embora esteja alinhado eleitoralmente ao campo bolsonarista, Wilder adota um perfil considerado mais moderado em temas que costumam mobilizar a direita. O senador, por exemplo, mantém uma postura menos confrontadora em relação ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes.

Para críticos dentro do próprio campo conservador, esse comportamento demonstra que Wilder não possui o mesmo perfil ideológico de Gayer e Major Vitor Hugo.

Já seus aliados sustentam que a postura mais pragmática pode ampliar sua capacidade de diálogo e facilitar a construção de alianças para a disputa pelo governo estadual.

Apoios municipais são desafio para Wilder

Outro ponto de atenção é a estrutura política de Wilder no interior de Goiás. Parte dos prefeitos do PL não declarou apoio explícito à sua candidatura ao governo.

Entre os exemplos está Carlinhos do Mangão, prefeito de Novo Gama, que possui forte capital eleitoral na região do Entorno do Distrito Federal e não integra, até o momento, a campanha de Wilder.

Gayer e Major Vitor Hugo também precisam administrar suas próprias campanhas e, embora mantenham relação com Wilder, concentram esforços em seus projetos eleitorais.

Gayer pode assumir comando do PL

Nos bastidores, uma eventual eleição de Gustavo Gayer para o Senado poderia provocar mudanças significativas no comando do PL em Goiás.

Uma possibilidade discutida é que Gayer assuma a presidência estadual da legenda, o que representaria uma mudança na orientação política do partido e poderia aproximar ainda mais a direção estadual do núcleo bolsonarista.

A disputa de 2026, portanto, não envolve apenas cargos eletivos. Está em jogo também o futuro do PL em Goiás e quem terá maior influência sobre os rumos da legenda.

Com Márcio Corrêa fortalecendo Gayer e Major Vitor Hugo, enquanto Wilder Morais concentra esforços em sua candidatura ao governo, o partido chega à eleição dividido entre diferentes projetos e estratégias.

O resultado das urnas deverá definir não apenas quem será eleito, mas também qual grupo terá maior força para comandar o PL goiano nos próximos anos.

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