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Ouro ilegal: entenda esquema de receptação que levou a bloqueio de R$ 34 milhões

Polícia Civil desarticula rede que roubava, derretia e revendia ouro em São Paulo; Justiça determinou bloqueio de R$ 34,6 milhões em bens dos investigados.

Ouro roubado era processado e vendido em esquema milionário, aponta investigação em SP

Operação Ouro Reverso II investiga rede de receptação dividida em três etapas e bloqueia mais de R$ 34,6 milhões em bens ligados aos suspeitos

Investigações da Polícia Civil de São Paulo apontam que uma sofisticada rede criminosa atuava na comercialização de peças produzidas com ouro proveniente de furtos e roubos na capital paulista. O esquema é alvo da Operação Ouro Reverso II, deflagrada nesta segunda-feira (24).

Segundo os investigadores, a organização era estruturada em três etapas, com integrantes responsáveis por funções diferentes dentro da cadeia criminosa. A operação busca identificar e responsabilizar desde os responsáveis pelos roubos até os envolvidos no processamento e na movimentação financeira dos valores obtidos ilegalmente.

Na primeira etapa estavam os executores, responsáveis por realizar os roubos de joias nas ruas. Eles atuariam sob orientação de intermediários, que fariam a ligação entre os autores dos crimes e os receptadores.

A segunda fase envolvia os chamados processadores. De acordo com a investigação, lojistas e receptadores recebiam o ouro de origem criminosa e realizavam o derretimento e a remanufatura do material, dificultando a identificação da procedência das peças.

Na terceira etapa estavam os financiadores. Investigadores apontam que especialistas em lavagem de dinheiro utilizavam empresas de fachada e depósitos fracionados para ocultar a origem dos recursos e reinseri-los no sistema financeiro formal.

Operação bloqueia mais de R$ 34 milhões

Durante a Operação Ouro Reverso II, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 34,68 milhões em bens relacionados aos investigados.

Ao todo, são cumpridos quatro mandados de prisão e 28 mandados de busca e apreensão. A ação é realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio da 3ª Delegacia, e mobiliza cerca de 60 investigadores.

Durante as diligências, policiais encontraram anotações relacionadas à comercialização de ouro proveniente de furtos e roubos, além de uma balança que, segundo a investigação, seria utilizada para pesar o metal precioso.

Investigação mira toda a cadeia criminosa

A Polícia Civil pretende identificar todos os participantes do esquema, incluindo os responsáveis pelos roubos, intermediários, receptadores e empresas envolvidas na compra, processamento e revenda do ouro.

Segundo os investigadores, a estrutura financeira do grupo permitia o financiamento contínuo de novas atividades criminosas, mantendo o fluxo de recursos mesmo após o processamento do material roubado.

A operação conta ainda com o apoio da Receita Estadual, que auxilia na fiscalização da regularidade das empresas investigadas, e da Caixa Econômica Federal.

As investigações continuam para esclarecer a extensão do esquema e identificar outros possíveis envolvidos.

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