Família aguarda há dois meses identificação de pé encontrado após morte de estudante em acidente no Tocantins
A família da estudante de nutrição Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, de 22 anos, vive há dois meses a espera pelo resultado de um exame que deve confirmar se um pé humano encontrado às margens de uma rodovia pertence à jovem, que morreu após um grave acidente na BR-010, em Palmas.
Jhenyfer sofreu o acidente no dia 17 de maio, quando seguia de motocicleta com o marido, Sergiomar de Freitas Lima, para visitar familiares em Aparecida do Rio Negro, na região central do Tocantins. A moto em que o casal estava foi atingida por um carro.
Com o impacto da batida, a estudante teve o pé amputado. Ela chegou a ser socorrida e levada para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada no hospital. O marido sofreu fraturas graves, permaneceu internado e recebeu alta posteriormente.
Família espera laudo para sepultamento
Dias após o acidente, um pé humano foi encontrado a cerca de 5 quilômetros do local da colisão. Inicialmente, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO) informou que o membro pertencia à estudante, mas posteriormente voltou atrás e afirmou que a identificação ainda dependia da conclusão das análises técnicas da Polícia Científica.
A mãe da jovem, Maria Aparecida dos Santos, relata que a demora tem causado sofrimento à família.
“Ainda não recebemos o resultado do exame. Isso é muito ruim, porque queremos enterrar o pé da nossa filha. Estamos esperando”, afirmou.
A Secretaria da Segurança Pública foi procurada para informar a situação atual do laudo, mas não havia respondido até a última atualização da reportagem.
Motorista foi indiciado
O motorista que atingiu a motocicleta onde Jhenyfer estava foi identificado como Nerivaldo Mendes, de 39 anos, policial militar.
Segundo a Polícia Civil, ele foi indiciado pelos crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.
Ainda conforme a investigação, o policial permaneceu no local do acidente, prestou socorro às vítimas e realizou teste do bafômetro, que apresentou resultado negativo para consumo de álcool.
A Polícia Militar informou que o agente estava de folga e conduzia um veículo particular no momento da colisão. A defesa do militar declarou que irá se manifestar apenas dentro do processo.
Sonho de se formar e ajudar a família
Jhenyfer era estudante de nutrição e estava próxima de concluir a graduação. Além dos estudos, trabalhava como vendedora em uma loja de departamentos.
Familiares descrevem a jovem como uma pessoa alegre, carismática e cheia de planos para o futuro.
O cunhado dela, Sandro Lima, lembra que Jhenyfer era conhecida pelo sorriso e pela forma como tratava as pessoas.
“Era uma menina alegre. Estava sempre sorrindo”, contou.
A mãe relata que a filha tinha o hábito de fazer chamadas de vídeo diariamente com os irmãos, que sentem a ausência dela desde o acidente.
“O dia a dia tem sido muito triste, não só para mim, mas também para os irmãozinhos dela. Todos os dias ela fazia chamada de vídeo e eles sentem falta”, disse Maria Aparecida.
Enquanto aguarda o resultado do exame, a família espera concluir o processo de identificação para realizar o sepultamento e encerrar uma etapa marcada pela dor e pela incerteza.




