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Aliados do Irã retomam ofensiva e aumentam pressão contra EUA e Israel

Após sofrer grandes perdas com operações de Israel e dos EUA, grupos ligados a Teerã se reorganizam e voltam a ampliar sua atuação militar no Oriente Médio.

ALIADOS DO IRÃ VOLTAM A ATUAR NO ORIENTE MÉDIO E AMPLIAM PRESSÃO CONTRA EUA E ISRAEL

Grupos ligados a Teerã, enfraquecidos após anos de confrontos, retomam ações militares e reforçam influência iraniana na região

Após três anos marcados por perdas e enfraquecimento, grupos armados aliados ao Irã voltaram a ganhar força no Oriente Médio e retomaram ações contra adversários de Teerã, especialmente Estados Unidos e Israel.

Segundo especialistas, essas organizações têm sido uma peça fundamental na estratégia iraniana há décadas, funcionando como uma espécie de linha de defesa avançada para evitar ataques diretos contra o território do Irã.

Conhecida como “Eixo da Resistência”, a aliança reúne grupos armados apoiados pela República Islâmica e com atuação em países como Líbano, Iêmen, Iraque, Síria e territórios palestinos. O bloco, porém, sofreu fortes impactos após a resposta militar de Israel contra o Hamas em 2023 e os conflitos que se espalharam pela região.

Com o enfraquecimento dessas organizações, o Irã passou a sofrer ataques diretos de Israel e dos Estados Unidos, aumentando a pressão sobre o governo de Teerã. Agora, especialistas afirmam que os grupos aliados voltaram a se reorganizar e a abrir novas frentes de conflito.

“O Eixo da Resistência funcionou muito bem por mais de duas décadas, ajudando a garantir que não houvesse ataques ao Irã enquanto esses grupos ampliavam sua influência”, afirmou Trita Parsi, vice-presidente executivo do Quincy Institute for Responsible Statecraft.

Segundo ele, após a perda de força dessas organizações, o Irã passou a sentir diretamente os impactos das ações militares de seus adversários.

Israel realizou ofensiva contra líderes de grupos aliados ao Irã

Após o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023, o governo israelense iniciou uma série de operações contra integrantes de grupos apoiados por Teerã.

Entre os alvos estavam lideranças importantes, como Yahya Sinwar, do Hamas, e Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, além de integrantes de milícias ligadas ao Irã no Iraque.

Israel também ampliou os ataques contra os houthis no Iêmen e intensificou ações contra estruturas associadas ao governo iraniano.

Apesar das perdas, especialistas avaliam que o chamado Eixo da Resistência continua ativo e passou por uma transformação.

“O Eixo ainda está vivo. Não está desaparecendo, mas está mudando”, afirmou Danny Citrinowicz, ex-chefe da divisão iraniana da inteligência militar israelense.

Grupos possuem interesses próprios

Apesar da proximidade com Teerã, especialistas ressaltam que os grupos aliados do Irã não funcionam apenas como representantes do governo iraniano.

Segundo Ali Ahmadi, pesquisador do Centro de Política de Segurança de Genebra e do Instituto do Oriente Médio da Suíça, cada organização possui sua própria identidade e objetivos políticos.

“Cada um desses grupos tem sua própria identidade e interesses, mas também estão interligados com o Irã por interesses ideológicos e geopolíticos”, explicou.

Entre os grupos mais independentes está o movimento houthi, no Iêmen, que tem ampliado sua atuação militar e criado novas tensões com aliados dos Estados Unidos na região.

Houthis ampliam confronto no Mar Vermelho

Nos últimos meses, os houthis aumentaram ataques contra interesses sauditas e rotas marítimas estratégicas no Oriente Médio.

O grupo anunciou ações contra navios e instalações de energia da Arábia Saudita, além de ameaçar a circulação de embarcações pelo estreito de Bab al-Mandeb, uma das principais rotas comerciais do mundo.

Para especialistas, os movimentos representam uma tentativa do Eixo da Resistência de aproveitar o cenário de instabilidade para fortalecer a presença regional do Irã.

Irã mantém apoio ao Hezbollah

Além dos houthis, o Irã continua demonstrando apoio ao Hezbollah, grupo armado que atua no Líbano e é considerado um dos principais aliados de Teerã.

O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, reafirmou recentemente o apoio ao grupo e destacou o papel do Hezbollah na estratégia de resistência contra Israel.

Para analistas, os aliados regionais do Irã estão se adaptando ao novo cenário de conflito e buscando recuperar espaço após anos de ataques e perdas.

“A aliança não vai desaparecer”, afirmou Citrinowicz ao analisar o futuro do grupo de organizações apoiadas por Teerã.

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