Especialista avalia limites dos EUA e descarta ofensiva terrestre em escalada contra o Irã
Professor de Ciências Militares afirma que ampliação do conflito deve ocorrer no campo aéreo e naval, com foco em infraestrutura estratégica iraniana
O professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Eduardo Migon, avaliou que uma eventual escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã tende a se concentrar em operações aéreas e navais, sem a participação de grandes contingentes de tropas terrestres americanas.
Em entrevista ao programa WW, Migon explicou que o confronto já se estende por cerca de 150 dias e que os próximos dias serão decisivos para a definição dos rumos da crise. Segundo ele, existe uma janela estratégica de duas a quatro semanas para que novas decisões militares sejam tomadas.
O especialista destacou que a Marinha dos Estados Unidos enfrenta desafios operacionais após meses de atuação contínua na região. Apesar de manter superioridade naval e já ter neutralizado a capacidade marítima iraniana, a permanência prolongada de porta-aviões e embarcações em operação gera desgaste de equipamentos, necessidade de manutenção e reposição de recursos.
No campo aéreo, Migon ressaltou a eficiência dos sistemas de defesa antiaérea americanos, capazes de interceptar mísseis e proteger instalações estratégicas. No entanto, ele alertou para a redução dos estoques de munições, que estariam entre 30% e 40% abaixo dos níveis considerados normais.
Já em relação às forças terrestres, o professor afirmou que os cerca de 50 mil militares americanos posicionados na região não seriam suficientes para sustentar uma operação de grande escala. Segundo ele, uma ofensiva terrestre exigiria ao menos o dobro ou o triplo desse efetivo.
Diante desse cenário, Migon considera improvável uma invasão por terra. Para ele, a tendência é que qualquer ampliação do conflito se concentre na intensificação dos ataques aéreos e navais, com foco na destruição de infraestrutura estratégica iraniana.
O analista internacional Lourival Sant’Anna também comentou o contexto político nos Estados Unidos. Segundo ele, pesquisas recentes indicam insatisfação significativa da população com as prioridades da administração de Donald Trump, o que pode influenciar decisões relacionadas à política externa e ao conflito no Oriente Médio.
Sant’Anna observou ainda que o Irã tem buscado assumir a iniciativa estratégica na região, especialmente por meio da Guarda Revolucionária, com ações voltadas ao fortalecimento de sua influência sobre áreas consideradas essenciais para o transporte global de petróleo, como o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico.
Na avaliação dos especialistas, o conflito segue marcado por desafios militares, pressões políticas internas e disputas geopolíticas que podem impactar a estabilidade de toda a região nos próximos meses.




