Defesa de Daniel Vorcaro entrega proposta formal à PF e à PGR; conteúdo agora será analisado e pode atingir figuras centrais do sistema financeiro e político nacional
A entrega da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República nesta terça-feira (5), marca um novo e potencialmente explosivo capítulo de um dos maiores escândalos financeiros em investigação no país. O material, entregue em pen drive aos investigadores, passa agora por análise técnica e jurídica que poderá definir o avanço das apurações sobre supostas fraudes bilionárias envolvendo operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, após a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura a comercialização de carteiras de crédito supostamente fraudulentas ao BRB, esquema que, segundo os investigadores, pode ter movimentado cifras bilionárias e envolvido agentes públicos, executivos do sistema financeiro e operadores ligados a decisões estratégicas dentro de instituições bancárias.
A expectativa em torno da colaboração é elevada porque, para que o acordo avance, a legislação exige que o delator apresente provas robustas e verificáveis — como documentos, gravações, registros financeiros e outros elementos materiais que sustentem suas acusações. Segundo apuração de veículos nacionais, PF e PGR devem levar até dois meses para avaliar o conteúdo e decidir se há consistência suficiente para dar prosseguimento formal às negociações.
O caso ganha contornos ainda mais delicados porque esta é a primeira vez em que Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República dividem, simultaneamente, a análise de uma proposta de colaboração desse porte, movimento interpretado nos bastidores como sinal da complexidade e da sensibilidade política do material apresentado.
Outro fator que aumenta a tensão é a corrida paralela do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que também busca firmar acordo de delação premiada. Preso sob acusação de ter recebido R$ 146 milhões em propina para favorecer interesses do Banco Master, o ex-executivo tenta acelerar tratativas junto ao Supremo Tribunal Federal. A possibilidade de duas delações cruzadas sobre os mesmos fatos eleva o risco de revelações que possam atingir o núcleo de decisões do sistema financeiro público e privado.
Nos bastidores de Brasília, a movimentação é acompanhada com apreensão. A depender do conteúdo validado pelas autoridades, a colaboração de Vorcaro pode não apenas aprofundar a crise do Banco Master, mas desencadear uma nova onda de desgaste institucional, atingindo setores estratégicos da política e do mercado financeiro.
Agora, todas as atenções se voltam para a análise da PF e da PGR. O que está no pen drive entregue pela defesa de Vorcaro pode representar apenas mais uma tentativa de negociação judicial, ou a abertura de uma caixa-preta capaz de redefinir os rumos de uma investigação com potencial de repercussão nacional.


