Levantamento da Exata.GO revela desempenho abaixo do esperado do deputado federal na segunda opção de voto e expõe desafio estratégico na corrida por uma das vagas ao Senado em 2026
A pesquisa Exata.GO sobre a corrida ao Senado em Goiás trouxe um dado que chama atenção no cenário político estadual: o deputado federal Gustavo Gayer (PL), embora apareça competitivo na primeira opção de voto, praticamente desaparece quando o eleitor é questionado sobre o chamado “segundo voto” para senador.
O resultado expõe um obstáculo relevante para o parlamentar em sua caminhada rumo ao Senado Federal e levanta um alerta sobre sua capacidade de ampliar apoio para além de sua base mais fiel.
Na pesquisa, Gayer aparece com 12% na primeira opção de voto, figurando entre os nomes mais lembrados pelos eleitores goianos.
No entanto, quando o levantamento questiona quem seria a segunda escolha para o Senado, o cenário muda drasticamente. Gustavo Gayer registra apenas 5,70%, ficando atrás de Vanderlan Cardoso (11,09%), Gracinha Caiado (10,27%), Zacharias Calil (10,09%), Alexandre Baldy (7,64%) e Delegado Humberto Teófilo (7,24%).
O dado revela que, embora tenha um eleitorado consolidado e identificado com sua linha política, o deputado enfrenta dificuldades para conquistar eleitores que o enxerguem como uma alternativa complementar.
Mas o que é o segundo voto?
A dúvida é comum entre muitos eleitores.
Na eleição para o Senado, cada estado elege dois senadores quando há renovação de dois terços da Casa, como ocorrerá em 2026.
Isso significa que o eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes, escolhendo dois nomes para ocupar as duas vagas disponíveis.
Por isso, as pesquisas costumam medir dois cenários:
O primeiro voto, que representa a escolha principal do eleitor.
E o segundo voto, que indica qual seria sua segunda opção na mesma eleição.
Na prática, o segundo voto é fundamental para medir a capacidade de um candidato de furar bolhas ideológicas e ampliar sua aceitação entre eleitores que já têm outro nome como preferência principal.
É justamente nesse ponto que Gustavo Gayer encontra sua maior fragilidade.
Base fiel, mas pouca expansão
Os números sugerem que Gayer possui uma militância consolidada e forte identificação com um segmento específico do eleitorado conservador, o que garante desempenho relevante na primeira escolha.
Por outro lado, sua baixa pontuação no segundo voto indica dificuldade para dialogar com eleitores moderados ou com grupos que buscam compor uma chapa mais ampla na hora de preencher as duas vagas.
Esse comportamento pode pesar na reta decisiva da disputa, especialmente em um cenário fragmentado, onde a capacidade de atrair o voto complementar costuma ser decisiva.
A pesquisa mostra que outros nomes têm conseguido ocupar melhor esse espaço.
Vanderlan Cardoso, por exemplo, lidera o segundo voto com 11,09%. Gracinha Caiado aparece logo atrás com 10,27%, seguida por Zacharias Calil com 10,09%.
Esses números indicam maior transversalidade eleitoral, característica importante em eleições para o Senado.
Cenário ainda indefinido
Apesar do sinal de alerta para Gustavo Gayer, o cenário segue aberto.
A própria pesquisa aponta alto índice de indecisão: 34,15% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar como segunda opção, enquanto 11,03% afirmam que não escolheriam nenhum nome.
Ou seja, há espaço político para crescimento.
Para Gayer, o desafio será converter visibilidade e engajamento digital em maior aceitação junto ao eleitorado que ainda não o considera uma segunda alternativa viável.
Na corrida para o Senado, ter o primeiro voto é importante.
Mas, em uma eleição de duas vagas, não conquistar o segundo voto pode custar caro.


