Senador grava vídeo de dentro do hospital, nega ter agredido profissional de saúde e afirma que reação ocorreu após falha técnica durante exame; caso é investigado pela Polícia Civil do DF
O senador Magno Malta voltou ao centro de uma intensa polêmica nacional neste sábado (2), após gravar um vídeo diretamente do leito do Hospital DF Star, em Brasília, negando de forma veemente as acusações de agressão feitas por uma técnica de radiologia da unidade. Com eletrodos presos à cabeça e ao tórax, o parlamentar apareceu visivelmente abatido e classificou a denúncia como “mentira”, afirmando que jamais agrediu qualquer mulher. As declarações foram dadas enquanto ele segue internado para observação médica após apresentar mal-estar durante compromissos em Brasília.
“Vocês me conhecem. Eu nunca encostei a mão em ninguém, nem nas minhas filhas, nem em nenhuma mulher. Isso é falsa comunicação de crime”, afirmou o senador no vídeo divulgado nas redes sociais, em uma tentativa de rebater a denúncia registrada pela profissional junto à Polícia Civil do Distrito Federal.
O episódio ocorreu durante a realização de uma angiotomografia no Hospital DF Star. Segundo o boletim de ocorrência, a técnica relatou que o exame precisou ser interrompido após o equipamento identificar uma obstrução durante a aplicação do contraste venoso. Ao verificar o local, a profissional constatou o extravasamento da medicação no braço do senador — intercorrência que exige compressão imediata para evitar complicações.
Foi neste momento, segundo a denúncia, que o parlamentar teria reagido de forma agressiva. A técnica afirma ter levado um tapa no rosto, suficiente para entortar seus óculos, além de ter sido ofendida verbalmente com xingamentos como “imunda” e “incompetente”. O caso mobilizou a direção da unidade hospitalar, que confirmou a abertura de apuração administrativa interna e declarou apoio à colaboradora.
A defesa de Malta, no entanto, sustenta uma versão diferente. Em nota oficial, os advogados afirmam que o senador estava sob forte medicação e com a cognição comprometida no momento do exame, reagindo exclusivamente à intensa dor provocada por uma falha técnica no acesso venoso.
Segundo a equipe jurídica, o contraste teria sido administrado de forma inadequada, causando extravasamento da substância e desencadeando ardência extrema, hematoma e risco de complicações circulatórias. A defesa sustenta que qualquer reação do senador foi direcionada ao sofrimento físico causado pelo procedimento — e não à profissional que o atendia.
No vídeo, Malta reforçou esse argumento ao exibir o braço lesionado e afirmar que, após o ocorrido, um especialista precisou ser chamado para realizar novo acesso venoso. O parlamentar também afirmou que o próprio médico responsável pelo atendimento teria pedido desculpas pelo episódio.
A repercussão do caso já ultrapassou os corredores hospitalares e alcançou o meio político, reacendendo o debate sobre condutas em ambientes de atendimento médico e a responsabilização em situações envolvendo autoridades públicas.
Enquanto a Polícia Civil do Distrito Federal apura as versões conflitantes, o caso segue cercado de controvérsia. De um lado, uma profissional de saúde que afirma ter sido vítima de violência durante o exercício da função; do outro, um senador que nega qualquer agressão e promete buscar responsabilização judicial contra quem considera responsável por uma acusação falsa.
O desfecho dependerá agora da análise de imagens internas do hospital, dos depoimentos colhidos e dos laudos técnicos que poderão esclarecer o que, de fato, ocorreu dentro da sala de exames.


