sábado, março 7, 2026
spot_img
HomeNotíciasJovem de 20 anos morre após tentativa de aborto em motel em...

Jovem de 20 anos morre após tentativa de aborto em motel em Ceres(GO)

Gabriela Patrícia, de apenas 20 anos, sofreu três paradas cardíacas após uso de medicamentos abortivos aplicados por amigos em um quarto de motel. Polícia investiga o caso como homicídio e aborto provocado. A jovem morreu entubada e com sangramento intenso.

Uma tragédia chocante e de extrema gravidade abalou a cidade de Ceres (GO) na noite desta sexta-feira (1º). Gabriela Patrícia de Jesus Silva, de apenas 20 anos, morreu após complicações de uma tentativa de aborto realizada de forma clandestina dentro de um quarto de motel. O caso, que envolve uso indevido de medicamentos, confissões de amigos e omissão de funcionários do estabelecimento, está sendo investigado como crime de aborto com resultado morte.

A jovem deu entrada por volta das 19h40 na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceres, em estado gravíssimo, inconsciente e em parada cardiorrespiratória. Foi socorrida por Mickaelly Ferreira Mota e Rodrigo Mota Ferreira, que a levaram em um carro particular até a unidade de saúde, alegando inicialmente que ela havia passado mal.

O que parecia ser mais um caso de urgência médica se revelou uma trama perturbadora. Conforme relatos da equipe médica e posteriormente confirmado pelos próprios acompanhantes, Gabriela foi submetida a uma tentativa de aborto no quarto 207 do Safari Motel, onde foram aplicadas duas doses de ocitocina na veia da jovem — um medicamento proibido para uso doméstico e sem qualquer supervisão médica. Após a aplicação, Gabriela sofreu crises convulsivas e desmaiou.

CONFISSÃO CHOCANTE

Em depoimento à polícia, Mickaelly confessou ter ajudado na aplicação do medicamento e afirmou que tudo havia sido combinado com Gabriela. Rodrigo, que também assumiu participação direta, declarou manter relações sexuais com a vítima, embora negasse um relacionamento amoroso. Segundo ele, acreditava ser o pai da criança e, por isso, ambos haviam “chegado a um acordo” para interromper a gravidez.

Contudo, a polícia ressalta que não há confirmação de que a jovem tenha consentido com o procedimento, uma vez que chegou desacordada e não pôde prestar depoimento.

Exames laboratoriais constataram que Gabriela estava grávida e apresentava sinais claros de intervenção farmacológica. Ela teve três paradas cardíacas, sendo a última, às 00h12 de sábado (02), fatal, apesar dos intensos esforços da equipe médica para reanimá-la.

FUNCIONÁRIOS DO MOTEL OBSTRUÍRAM A INVESTIGAÇÃO

A tentativa de localizar o local exato do crime foi dificultada por funcionários e pelo proprietário do Safari Motel, que negaram qualquer conhecimento do caso e se recusaram a colaborar com a polícia. A recepcionista Simone, o proprietário Márcio e uma funcionária chamada Raquel foram apontados como responsáveis por obstrução da justiça e desobediência a ordem legal, ao se negarem a indicar qual quarto havia sido utilizado.

Após quase duas horas de resistência e dissimulação, a recepcionista Simone finalmente admitiu que recebeu um pedido de socorro via interfone, feito por Rodrigo Mota, e que a situação realmente ocorreu no quarto 207. A informação foi essencial para que a equipe de Rialma isolasse o local e solicitasse perícia técnica.

A polícia acredita que a omissão dos funcionários foi proposital, possivelmente para evitar escândalo público ou proteger a imagem do estabelecimento, o que poderá agravar sua situação jurídica.

AÇÃO POLICIAL E PRISÃO EM FLAGRANTE

Diante das confissões e das evidências, a Delegacia de Polícia Civil de Ceres determinou a prisão em flagrante de Mickaelly Ferreira Mota e Rodrigo Mota Ferreira, por aborto provocado com consentimento da gestante (art. 126), com resultado morte (art. 127) e em concurso de pessoas (art. 29), conforme o Código Penal.

O delegado responsável pelo caso já solicitou uma série de exames periciais e toxicológicos, tanto na vítima quanto nos medicamentos e seringas apreendidos. Também foi determinada a realização de perícia detalhada no local do crime, para encontrar vestígios biológicos, restos de medicamentos ou qualquer outra evidência que confirme a dinâmica dos fatos.

O caso continua em investigação, e a tipificação penal poderá ser agravada, a depender dos laudos finais e da conclusão da apuração.

UM ALERTA À SOCIEDADE

O caso de Gabriela Patrícia expõe com brutalidade os perigos do aborto ilegal e a negligência com a vida de mulheres jovens. A morte de uma jovem de apenas 20 anos — em meio a uma tentativa desesperada, sem apoio médico, e sob circunstâncias clandestinas — abre um alerta para toda a sociedade.

A investigação segue em curso, e o Jornal Goiás da Gente acompanhará de perto os desdobramentos deste caso que comove e revolta a população de Ceres e de todo o Estado de Goiás.

Este conteúdo é exclusivo do Jornal Goiás da Gente. Caso tenha qualquer informação complementar sobre o caso, entre em contato com nossa redação.

 

MAIS NOTICIAS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

spot_img
spot_img

Veja também