O ex-secretário municipal de Saúde de Goiânia, Wilson Pollara, foi transferido da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a enfermaria do Hospital Ruy Azeredo na terça-feira (3), após realizar uma angioplastia percutânea com implante de stent farmacológico. A informação foi confirmada pelo advogado de defesa, Thiago Peres.
Pollara segue internado no hospital para observação, mas, segundo a defesa, seu quadro clínico permanece inalterado. Um boletim médico divulgado na segunda-feira (2) indicou que sua saúde é estável. A equipe de reportagem tentou contato com o hospital na tarde de terça-feira, mas não obteve retorno até a última atualização.
Detalhes da Internação
O ex-secretário foi levado ao Centro Integrado de Atenção Médico Sanitária (Ciams) Novo Horizonte pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) após sentir fortes dores no peito no domingo (1º). Após exames, ele foi transferido para o Hospital Ruy Azeredo, onde um cateterismo cardíaco revelou uma lesão de 95% em um ramo diagonal. O procedimento de angioplastia foi realizado para restaurar o fluxo sanguíneo ao coração.
A defesa de Pollara também destacou que ele enfrenta doença arterial coronariana, dificuldades de locomoção devido a problemas musculares e complicações resultantes do tratamento de dois cânceres.
Contexto da Prisão
Wilson Pollara, juntamente com Bruno Vianna Primo, ex-diretor financeiro da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), e Quesede Ayres Henrique, ex-secretário executivo, foi preso na quarta-feira (27) durante a Operação Comorbidades, conduzida pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). Os três passaram por audiência de custódia na quinta-feira (28), onde a Justiça decidiu manter as prisões.
A investigação do MP-GO apura pagamentos suspeitos realizados fora dos canais oficiais da SMS, que seriam ilegais e beneficiariam fornecedores da Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) e indivíduos sem vínculo contratual com a prefeitura. Os recursos que deveriam ser direcionados à entidade responsável por quatro unidades de saúde na capital estavam supostamente sendo utilizados para favorecer prestadores de serviços e influenciar a administração da fundação.
Pollara, Ayres e Primo são identificados pelo MP-GO como líderes de um suposto esquema criminoso que resultou em uma dívida de R$120 milhões para a SMS e pode ter contribuído para a crise atual na rede pública de saúde da capital. A defesa de Pollara ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas o espaço permanece aberto para comentários.