Pesquisa apresentada em congresso europeu indica que imunização popular, conhecida como “vacina contra o cobreiro”, pode proteger também o coração
Um estudo internacional apresentado nesta semana no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC 2025), em Madri, trouxe uma novidade animadora para a saúde pública: a vacina contra o herpes-zóster, conhecida popularmente como vacina contra o cobreiro, pode reduzir em até 18% o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) em adultos.
A pesquisa é a primeira revisão sistemática mundial a reunir 19 estudos observacionais e um ensaio clínico randomizado sobre o tema. Embora os cientistas ressaltem que os dados ainda são associativos e não comprovam causa e efeito, os resultados indicam uma relação positiva entre a vacinação e a redução de eventos cardiovasculares graves.
Como funciona
O herpes-zóster ocorre quando o vírus da catapora, adormecido no organismo, é reativado anos depois. Além das lesões dolorosas na pele, a doença pode provocar inflamações nos vasos sanguíneos, aumentando o risco de complicações como infarto e AVC.
De acordo com os especialistas, ao reduzir as chances de reativação do vírus, a vacina também pode ajudar a proteger o sistema cardiovascular.
Outros estudos reforçam a evidência
Em maio deste ano, uma pesquisa feita na Coreia do Sul com mais de 1,27 milhão de pessoas mostrou que a vacinação contra o herpes-zóster reduziu em 23% o risco geral de eventos cardiovasculares e em 26% o risco de infarto, AVC ou morte por doenças cardíacas. Os efeitos protetores foram observados por até oito anos após a imunização.
Esses resultados ganharam força nas diretrizes mais recentes da própria Sociedade Europeia de Cardiologia, que passou a incluir a vacinação — contra gripe, Covid-19, pneumonia e agora herpes-zóster — como o “quarto pilar da prevenção cardiovascular”, ao lado do controle da pressão, do colesterol e da glicose.
Importância para a população
Apesar das ressalvas sobre a necessidade de mais estudos clínicos, médicos afirmam que os dados já são suficientes para considerar a vacina contra o herpes-zóster não apenas uma proteção contra o cobreiro, mas também uma aliada da saúde do coração.
“É uma descoberta que reforça o papel das vacinas na prevenção de doenças muito além das infecções. Estamos falando de uma estratégia segura e acessível que pode salvar vidas”, destacou um dos autores da pesquisa.
Disponibilidade no Brasil
Atualmente, a vacina contra herpes-zóster está disponível na rede privada e em algumas situações específicas na rede pública, geralmente para idosos e pessoas com baixa imunidade. Especialistas defendem que os novos resultados podem ajudar a ampliar as políticas de vacinação no país.
Redação



